Sitelinks são os atalhos que o Google põe embaixo de um resultado, levando a páginas internas do mesmo site. Eles saem de um processo automático: o Google lê a estrutura de links do site, escolhe atalhos que parecem úteis para aquela busca e só exibe o bloco quando acha que ele ajuda. Não existe formulário, ajuste no Search Console nem marcação que faça os sitelinks aparecerem. O que está ao seu alcance é deixar o site fácil de entender e tirar do caminho a página que você não quer ver ali.
Uma confusão antes de começar: o Google Ads também tem sitelinks. Lá, são links que o próprio anunciante cadastra no anúncio, e a ajuda do Ads chama de recursos de sitelink. Este texto trata dos sitelinks da busca orgânica, que ninguém cadastra nem compra.
O que são os sitelinks e onde eles aparecem?
Funcionam como um índice resumido do site, com links do mesmo domínio agrupados sob um resultado de texto. Imagine que alguém digita "Jabuti Kids" no Google. O primeiro resultado é a home da loja de roupa infantil e, logo abaixo, vêm "Pijamas", "Roupas de bebê", "Trocas e devoluções" e "Loja no Recife". Quem queria trocar o tamanho de um macacão não precisa abrir a home e caçar o rodapé. Clica direto.
A documentação do Google resume o mecanismo assim: os sistemas analisam a estrutura de links do site atrás de atalhos que poupem tempo de quem busca, e só mostram esses atalhos quando acham que eles serão úteis. Se a estrutura não deixa o algoritmo achar bons links, ou se eles não têm relação com a busca, o bloco não aparece.
Na prática, isso acontece quase sempre quando a pessoa busca o nome da marca ou do site. É uma busca de navegação: quem digita o nome quer chegar a algum lugar lá dentro. Numa busca genérica, como "pijama infantil", o Google raramente sabe que seção do site interessa, e o resultado vem sem atalhos.
Quantos sitelinks aparecem e por que eles mudam?
Não há número oficial. A página atual do Google sobre sitelinks não diz quantos links entram no bloco nem em que formato. O último número publicado pelo próprio Google é de agosto de 2011, quando o máximo subiu de 8 para 12 por site, e o mesmo texto já avisava que a quantidade varia de busca para busca. A conta de "até 6 no computador e 8 no celular", repetida em vários guias, não vem acompanhada de fonte.
Aquele anúncio de 2011 também explica por que os atalhos mudam. A escolha e a ordem dos sitelinks passaram a depender da busca feita, e os sinais usados para escolhê-los foram unidos ao sistema de ranking normal. Desde então, buscar "Jabuti Kids" e "Jabuti Kids trocas" pode trazer atalhos diferentes, ou nenhum. O formato também varia. Às vezes é um bloco com título e trecho para cada link, às vezes uma linha só, com links curtos, que o Google lançou em abril de 2009.
Dá para pedir ou escolher os sitelinks?
Não. A página do Google diz que, no momento, os sitelinks são automatizados e que talvez, no futuro, a empresa passe a considerar sugestões de donos de sites. Essa mesma possibilidade aparece desde setembro de 2006, no primeiro texto do Google sobre o assunto.
Já existiu um controle, e dele vem muita orientação velha:
| Quando | O que mudou |
|---|---|
| Setembro de 2006 | O Google descreve os sitelinks como um processo totalmente automático |
| Outubro de 2007 | O Webmaster Tools ganha a opção de bloquear um sitelink por 90 dias |
| Agosto de 2011 | O bloqueio vira "rebaixamento": uma sugestão sem garantia, com até 100 por site |
| Outubro de 2016 | A ferramenta de rebaixamento sai do Search Console |
| Novembro de 2016 | John Mueller, do Google, conta que o efeito da ferramenta já tinha sido reduzido a quase nada nos seis meses anteriores |
O post de 2007 continua no blog do Google, agora com um aviso no topo: o recurso de rebaixar sitelinks foi removido e não está mais disponível. O anúncio da retirada não está no blog do Google, e a data ficou registrada na imprensa especializada, como o Search Engine Roundtable, que também publicou a fala do Mueller.
Se um tutorial manda entrar no Search Console e rebaixar um sitelink, ele é de antes de 2016 ou copiou alguém que era. E não confunda com o Ads: pagar por anúncio não muda os atalhos do resultado orgânico.
O que ajuda o Google a montar bons sitelinks?
A documentação lista quatro práticas. Nenhuma é truque: são as mesmas coisas que deixam o site fácil para uma pessoa.
- Título e cabeçalhos informativos, relevantes e curtos. O Google não explica de onde tira o texto de cada atalho, mas pede isso na lista. Uma página chamada "Institucional" não diz nada a ninguém. Vale escrever um title que diga o assunto de cada página e conferir a ordem dos títulos dentro do texto.
- Estrutura lógica, com links para as páginas importantes a partir de outras páginas relevantes. Menu com as seções principais, home apontando para elas e páginas do mesmo assunto ligadas entre si. O passo a passo está no texto sobre como ligar cada página importante às do mesmo assunto.
- Texto âncora conciso e relevante para o destino. "Trocas e devoluções" explica mais que "clique aqui" ou que um ícone de seta sem texto nenhum.
- Nada de conteúdo repetido. Duas páginas quase iguais, como "Fale conosco" e "Contato", ou "Promoções" e "Ofertas", dividem o mesmo papel. Pela nossa leitura, o mais provável é que o Google escolha a menos útil das duas ou desista do atalho.
A trilha de navegação no alto das páginas internas, o breadcrumb, reforça a mesma hierarquia.
Repare no que ficou fora da lista. Vários dos guias mais bem posicionados para esta busca mandam enviar o sitemap para ganhar sitelinks. O sitemap serve para o Google achar páginas, e isso já basta para mantê-lo em dia, mas a página de sitelinks não o menciona. Também não há, na documentação do Google, marcação de dados estruturados que produza sitelinks. A única que já mexeu com esse bloco, a da caixa de pesquisa, perdeu a função em 2024.
O nome que aparece acima do link azul também não é sitelink. Ele vem de outra regra, a dos dados estruturados WebSite, explicada no post sobre o nome do site e o ícone que o Google mostra.
Como tirar um sitelink que você não quer?
Removendo a página do site ou marcando a página com noindex. São as duas saídas que a documentação oferece, e as duas tiram a página de toda a busca, não só do bloco de atalhos. Então a primeira pergunta é outra: essa página precisa estar no Google?
- Login, cadastro, carrinho, área do cliente: em geral, não. O
noindexresolve, e quem procura onde entrar acha o botão no próprio site. - Campanha encerrada, como uma página de Black Friday do ano passado: apague ou redirecione para a seção atual de ofertas.
- Política de privacidade, trabalhe conosco, termos de uso: às vezes precisam estar no Google. Aqui o
noindexcobra caro, porque some também para quem buscar "trabalhe conosco Jabuti Kids".
Para uma página que deve continuar no Google mas não deveria virar atalho, não há botão. O que faz sentido, e isto é opinião nossa, não regra do Google, é diminuir o destaque dela na estrutura (sair do menu principal e ficar só no rodapé) e dar às páginas que você quer ver ali um título claro e links vindos de várias partes do site. Pode funcionar ou não. O Google não promete nada.
Dois enganos aparecem bastante. O robots.txt não serve para isso: o Google escreve que ele não é um mecanismo para manter uma página fora dos resultados, e o endereço bloqueado ainda pode aparecer se outras páginas linkarem para ele. E noindex combinado com bloqueio no robots.txt não funciona, porque o robô precisa abrir a página para ler a regra.
O que aconteceu com a caixa de pesquisa dos sitelinks?
Ela acabou. Em 21 de outubro de 2024, o Google anunciou no blog da Central da Pesquisa que deixaria de mostrar a caixa de pesquisa de sitelinks a partir de 21 de novembro de 2024, em todos os países e idiomas. O motivo declarado: mais de dez anos depois do lançamento, o uso tinha caído, e a retirada deixava a página de resultados mais simples. Em 29 de novembro de 2024, a documentação da marcação saiu do ar e a regra nositelinkssearchbox, que servia para desligar a caixa, foi arquivada.
A caixa era o campo de busca que aparecia dentro do resultado de alguns sites. Desde setembro de 2014, ela podia levar a pessoa direto para a busca interna do site, se a home declarasse WebSite com uma ação do tipo SearchAction.
Segundo o anúncio, a retirada não mexe no ranking nem nos outros sitelinks, e o relatório dessa marcação sairia do Search Console. A marcação pode ficar no site: dado estruturado sem suporte não causa problema na busca nem gera erro no Search Console. Quem decidir tirar deve lembrar que o nome do site usa uma variação do mesmo WebSite, que continua valendo.
Se for limpar, corte só a ação de busca. Um bloco antigo era mais ou menos assim:
{
"@type": "WebSite",
"@context": "https://schema.org",
"name": "Jabuti Kids",
"url": "https://www.exemplo.com.br/",
"potentialAction": {
"@type": "SearchAction",
"target": "https://www.exemplo.com.br/busca?q={search_term_string}",
"query-input": "required name=search_term_string"
}
}
Depois da limpeza, fica o que o Google ainda usa:
{
"@type": "WebSite",
"@context": "https://schema.org",
"name": "Jabuti Kids",
"url": "https://www.exemplo.com.br/"
}
Esse cuidado não é teórico. Quando lemos a home de 53 sites .br (outubro de 2026, dias 20 a 22), 28 (53%) não declaravam WebSite nenhum. Outras 3 traziam o bloco sem name, justamente a propriedade que o Google lê para o nome do site. Apagar o bloco inteiro junto com a caixa de pesquisa aumentaria esse grupo.
Como saber se o seu site tem sitelinks e se alguém clica neles?
Busque o nome do site numa janela anônima, no computador e no celular. Repita com o nome e uma palavra de seção, como "Jabuti Kids trocas". É o jeito de ver o bloco: a página do Google sobre sitelinks não aponta nenhum relatório para eles.
Os cliques dá para acompanhar. Abra Desempenho, no Search Console, filtre as consultas que contêm o nome da marca e passe para a aba de páginas. A ajuda do Search Console explica que, num resultado com vários links, os dados vão para o endereço de cada link. Um clique no atalho "Trocas e devoluções" conta para a página de trocas, e não para a home. Se, nas buscas pela marca, páginas internas aparecem com cliques e a mesma posição média da home, é uma pista de que viraram atalho. Pista, não prova.
O que encontramos ao conferir a nossa própria home?
O Nota do Site está no ar desde 22 de outubro de 2026. Cinco dias é pouco para o Google formar opinião sobre atalhos, mas dá para conferir o que estamos entregando a ele. A conferência foi feita em 27/10/2026:
- O menu do topo leva a Sobre, Ferramentas, Metodologia, Glossário, Panorama, Blog e Contato, cada item com um texto que diz o que tem do outro lado. O rodapé repete as seções e lista as ferramentas uma a uma.
- "Entrar" e "Criar conta grátis" também estão no menu, e as duas páginas têm
noindex. Pela regra do Google, não podem virar sitelink. Preferimos assim: quem busca o validador quer analisar um site, não abrir um formulário de login. - Na home, o bloco
WebSitetraz o nome "Nota do Site" e o endereço, semSearchAction. O site nasceu depois do fim da caixa de pesquisa, então não havia o que limpar.
Link quebrado na home vai na direção contrária. Nas 53 páginas iniciais que o validador leu, 4 (8%) tinham pelo menos um link interno levando a erro. É um atalho cortado bem na página que costuma aparecer com os sitelinks.
Que busca fazer hoje para conferir os seus atalhos?
Pegue o celular e busque o nome da sua marca. Se aparecer um sitelink que você não quer, decida primeiro se aquela página deve estar no Google. Se não deve, noindex. Se nenhum atalho aparece, abra a home e leia o menu como um visitante: cada item diz para onde leva? Há duas páginas fazendo o mesmo papel? Depois, rode a análise grátis do validador na home. Ela aponta links com texto genérico ou sem texto, links internos quebrados e a falta do WebSite com name.