Breadcrumb é aquela linha de links no alto de uma página interna, do tipo "Início › Calçados › Tênis de corrida", que mostra em que ponto do site o visitante está e deixa ele subir um nível com um toque. Fazer direito pede duas peças: a trilha visível, em HTML, e a mesma trilha descrita com BreadcrumbList nos dados estruturados. Desde janeiro de 2025 o Google não mostra mais a trilha nos resultados do celular, só no computador. Mesmo assim ela vale o trabalho, porque o principal beneficiado sempre foi quem navega.
O que é breadcrumb e de onde vem o nome?
Breadcrumb é a trilha de navegação de uma página: a lista, em ordem, das páginas que ficam acima dela na estrutura do site. O W3C, que cuida dos padrões da web, define assim mesmo: links para as páginas "mãe" da atual, em ordem hierárquica. Na versão brasileira da documentação do Google, o nome usado é navegação estrutural.
O nome em inglês quer dizer migalhas de pão, as que João e Maria espalham pela floresta para achar a volta. Na prática, numa loja de calçados de Joinville, a página de um produto mostraria:
Início › Calçados › Tênis de corrida › Tênis Leve 3 Masculino
Os três primeiros itens são links. O último é a página em que você está e não precisa ser clicável.
Quais são os tipos de breadcrumb?
Há três jeitos de montar a trilha, e só um deles serve para quase todo site:
| Tipo | O que mostra | Exemplo | Quando usar |
|---|---|---|---|
| Por hierarquia (ou localização) | Onde a página mora na estrutura | Início › Blog › Receitas › Bolo de fubá | Blogs, sites institucionais, lojas. É o padrão |
| Por atributo | Os filtros que levaram à listagem | Tênis › Corrida › Número 40 › Azul | Lojas com filtros, como complemento da trilha por hierarquia |
| Por histórico | As páginas que aquela pessoa visitou antes | Página anterior › Busca › Produto | Quase nunca |
A trilha por histórico parece útil, mas quebra justamente com quem vem do Google: a pessoa cai direto no produto, sem histórico nenhum. E, como muda de visitante para visitante, não cabe numa marcação fixa. O botão voltar do navegador já faz esse papel.
A trilha por atributo funciona como camada extra numa listagem filtrada, desde que os filtros não gerem milhares de endereços indexáveis, problema que o guia de SEO para lojas virtuais trata em detalhe.
Para que serve a trilha, para o visitante e para o Google?
Para o visitante, ela responde onde ele está e o que mais existe ali. Quem cai de uma busca direto num tênis descobre a categoria inteira de corrida e chega a ela sem abrir o menu.
Para o Google, cada item é um link comum, com <a href>, para o nível de cima. As categorias passam a receber links de todas as páginas abaixo delas, sempre com o próprio nome como texto, que é o que faz um bom link interno. E tudo isso sai de um ajuste só no modelo da página.
Uma ressalva: nenhuma página do Google diz que breadcrumb melhora a posição. A documentação fala em ajudar o usuário a entender e percorrer o site, e quem vende a trilha como fator de ranqueamento promete mais do que a fonte oficial.
Como o breadcrumb aparece no resultado do Google?
No computador, o endereço exibido no resultado tem duas partes, segundo a galeria de elementos visuais do Google: o domínio e a trilha. Com a marcação, um produto pode aparecer como sualoja.com.br › Calçados › Tênis de corrida, em vez de um endereço cheio de números.
No celular, isso mudou em 23 de janeiro de 2025. Naquele dia, o blog do Search Central anunciou o fim da trilha nos resultados para celular, em todos os idiomas e países, porque a tela pequena cortava o texto. Desde então, o celular mostra só o domínio. O mesmo anúncio avisou que:
- quem usa a marcação não precisa mudar nada, porque ela segue valendo para o computador;
- o relatório de navegação estrutural do Search Console continua existindo;
- o Teste de pesquisa aprimorada continua lendo a marcação.
A documentação, atualizada em setembro de 2026, segue dizendo que o recurso existe só em computadores. A mudança está no quadro de resultados que o Google cortou ou limitou desde 2023, com uma diferença em relação ao FAQ e ao HowTo: a trilha não sumiu, só saiu de uma das telas.
E sem marcação? O guia de primeiros passos do Google conta que o buscador monta a trilha sozinho com as palavras do endereço, e que os dados estruturados servem para influenciar isso. A marcação pesa mais quando o endereço não diz nada, como /p/123456.
Como marcar o BreadcrumbList, com código pronto?
Escreva um bloco JSON-LD com um ListItem para cada degrau da trilha, na mesma ordem e com os mesmos nomes que aparecem na tela. Para o tênis do exemplo:
{
"@context": "https://schema.org",
"@id": "https://www.sualoja.com.br/tenis-leve-3-masculino/#trilha",
"@type": "BreadcrumbList",
"itemListElement": [
{
"@type": "ListItem",
"name": "Calçados",
"item": "https://www.sualoja.com.br/calcados/",
"position": 1
},
{
"@type": "ListItem",
"name": "Tênis de corrida",
"item": "https://www.sualoja.com.br/calcados/tenis-de-corrida/",
"position": 2
},
{
"@type": "ListItem",
"name": "Tênis Leve 3 Masculino",
"position": 3
}
]
}
O bloco vai dentro de uma tag <script> do tipo application/ld+json, no <head> ou no <body>. O @id é opcional e só dá um nome fixo à trilha.
Repare que o "Início" ficou de fora. Pode: o Google não exige marcar o nível do domínio nem a própria página, e incluir também não é erro. As regras que contam, tiradas da página oficial do Google e da definição do tipo no schema.org:
- Pelo menos dois itens. Uma trilha com um item só não é aceita.
positioncomeça em 1 e segue em ordem crescente. O schema.org avisa que a ordem em que os itens aparecem no código não basta: quem define a sequência é oposition.nameé o texto que a pessoa lê. Use o mesmo da trilha visível.itemé o endereço daquele nível. O último item pode dispensá-lo; nesse caso, vale o URL da página onde o bloco está.- Descreva o caminho que um visitante faria, não a pasta do endereço. A recomendação é do próprio Google. Se a URL é
/produtos/sku-8841, a trilha certa continua sendo Calçados › Tênis de corrida. - Página com dois caminhos pode ter duas trilhas. Um tênis que está em "Corrida" e em "Promoções" pode levar dois
BreadcrumbList, um para cada caminho, dentro de uma lista JSON (entre colchetes).
Microdata e RDFa também servem, e o Google lê os três formatos. O JSON-LD costuma dar menos trabalho, porque mora separado do layout e sobrevive a uma troca de tema.
Como montar a trilha visível sem atrapalhar quem usa leitor de tela?
Use uma lista ordenada dentro de um <nav> com nome, o padrão que o W3C descreve no guia WAI-ARIA Authoring Practices:
<nav aria-label="Trilha de navegação">
<ol class="trilha">
<li><a href="https://www.sualoja.com.br/">Início</a></li>
<li><a href="https://www.sualoja.com.br/calcados/">Calçados</a></li>
<li><a href="https://www.sualoja.com.br/calcados/tenis-de-corrida/">Tênis de corrida</a></li>
<li><a href="https://www.sualoja.com.br/tenis-leve-3-masculino/" aria-current="page">Tênis Leve 3 Masculino</a></li>
</ol>
</nav>
O que cada detalhe faz:
<nav>comaria-labeltransforma a trilha numa região de navegação com nome. Quem usa leitor de tela pula direto para ela.aria-current="page"avisa que aquele link é a página atual. Se o último item for texto puro, sem link, o atributo vira opcional.- O separador fica fora do texto. No exemplo do W3C, a barra entre os itens é desenhada pelo CSS, para que o leitor de tela não leia o símbolo entre um item e outro. Se preferir escrever o caractere, ponha dentro de um
<span aria-hidden="true">›</span>.
Coloque a trilha logo antes do conteúdo principal, acima do título da página, e no mesmo lugar em todos os modelos de página. A página inicial não precisa de trilha: ela seria um item só.
No celular, mantenha a trilha. O Google tirou a trilha do resultado, não da sua página, e é no celular que o menu costuma ficar escondido atrás de um ícone. Se os nomes forem longos, encurte o do meio ou deixe a linha rolar para o lado, mas não esconda. Vale conferir o tema: o bloco de breadcrumb da VTEX, por exemplo, tem a opção showOnMobile, que vem desligada.
Quais plataformas já geram o breadcrumb?
Várias geram, quase sempre com algum ajuste seu. O que conferimos na documentação oficial de cada uma (os nomes de menu estão como aparecem na ajuda, em inglês):
| Plataforma | Trilha visível | BreadcrumbList |
|---|---|---|
| WordPress com Yoast SEO | Desligada de fábrica. Ligue "Enable breadcrumbs for your theme" em Yoast SEO › Settings › Advanced › Breadcrumbs e exiba com o bloco "Yoast Breadcrumbs", o shortcode [wpseo_breadcrumb] ou a função yoast_breadcrumb() no tema |
A documentação para desenvolvedores diz que a peça entra em toda página pública com WebPage válido |
| WordPress com Rank Math | Ligue o módulo Schema e depois Rank Math SEO › General Settings › Breadcrumbs (no modo avançado). Exiba com [rank_math_breadcrumb] ou pela função no tema |
Gerado junto com a trilha, quando o módulo Schema está ativo |
| WooCommerce | O tema exibe a trilha com a função woocommerce_breadcrumb() |
O código do WooCommerce só monta a marcação quando a trilha é exibida |
| VTEX (Store Framework) | Blocos breadcrumb, na página de produto, e breadcrumb.search, na busca |
Confira no código-fonte da página |
Dois detalhes que costumam passar batido. No Yoast, a marcação pode existir mesmo que o tema não mostre trilha nenhuma, porque ela sai do grafo de dados estruturados do plugin; ligue a trilha visível também, para o visitante ganhar o que o Google já recebe. No WooCommerce é o contrário: tema que esconde a trilha leva a marcação junto.
Nas demais lojas (Shopify, Nuvemshop, Tray e outras), a trilha depende do tema escolhido. Abra o código-fonte de um produto e procure BreadcrumbList. Link permanente, categorias e o resto da configuração estão no passo a passo de configuração do WordPress.
Quantos sites brasileiros marcam a trilha?
Bem menos do que deveriam. A amostra é a mesma dos outros posts do blog, mas aqui ela encolhe: dos 53 sites .br do levantamento que encerramos em 22/10/2026, só 26 tiveram páginas internas lidas, e trilha só se mede em página interna. Nesses 26 sites:
- 16 (62%) tinham
BreadcrumbListem todas as páginas internas lidas; - 8 (31%) não tinham em nenhuma página interna lida;
- 2 tinham só em parte: 4 de 9 páginas num site e 3 de 9 no outro.
Somando os dois últimos grupos, 10 dos 26 sites (38%) receberam alerta na regra de trilha do validador.
O caso parcial é o mais traiçoeiro, porque quem confere uma página só e encontra a marcação acha que está tudo certo. Quando isso acontece, confira modelo por modelo: produto, categoria, post e página institucional costumam sair de arquivos diferentes do tema.
O validador lê o HTML que o servidor entrega, sem rodar JavaScript, então trilha inserida via Google Tag Manager fica invisível para ele e para outros robôs que não executam scripts. A regra passa quando pelo menos metade das páginas internas lidas tem BreadcrumbList e dá alerta abaixo disso, com severidade baixa. Aqui no site, toda página interna pública mostra "Início / Blog / título do post" e declara a mesma trilha nos dados estruturados.
Como testar se o breadcrumb está certo?
Teste uma página de cada modelo, não só a que você acabou de editar:
- Nosso verificador de schema: cole o endereço de um produto, de uma categoria e de um post e veja se o
BreadcrumbListaparece com as propriedades completas. - Teste de pesquisa aprimorada: a ferramenta do Google diz se a trilha está apta ao resultado e aponta propriedade obrigatória faltando.
- Search Console: depois de publicar, o relatório de navegação estrutural, em Melhorias, mostra os itens válidos e inválidos do site inteiro. Para achar a tela, veja o que mostra cada relatório do Search Console.
- Comparação a olho: ponha a trilha da tela ao lado do JSON-LD. Nome diferente, item a mais ou ordem trocada indicam que as duas saem de lugares diferentes do código.
Procure também position começando em 0 ou repetido, trilha com um item só e categoria intermediária que leva a uma página fora do ar.
Que página do seu site abrir agora?
Abra uma página de produto ou um post do seu blog, aquele mais fundo na estrutura, e procure BreadcrumbList no código-fonte. Se não achar, comece pela trilha visível no modelo da página e só depois acrescente o JSON-LD, tirando os dois da mesma lista de categorias. Depois, leve o domínio ao validador gratuito, que mede a trilha nas páginas internas e o resto dos dados estruturados de uma vez.