Links internos são os links que levam de uma página do seu site para outra do mesmo site: o menu, o rodapé, o bloco de posts relacionados e, principalmente, os links no meio do texto. Fazer a linkagem interna bem é ligar cada página importante às outras do mesmo assunto, com um link que qualquer robô consegue seguir e um texto que diz para onde ele leva. A ideia é simples. O que dá errado quase sempre é técnico: link montado por JavaScript, ícone sem texto, link que leva a uma página apagada.
Este guia parte do que o Google escreve na documentação dele, e não das regras de bolso que circulam por aí. No fim, mostramos o que encontramos em sites brasileiros e como a gente cuida dos links do nosso próprio blog.
Para que servem os links internos?
Eles fazem três trabalhos ao mesmo tempo. O primeiro é a descoberta: o Google encontra páginas novas seguindo links de páginas que já conhece. O Guia de SEO para iniciantes do Google diz que a grande maioria das novas páginas que ele encontra todos os dias chega por links. Uma página sem nenhum link apontando para ela fica dependendo do sitemap para ser achada.
O segundo é explicar. O texto do link, chamado de texto âncora, diz ao Google e ao leitor do que trata a página de destino. Um link escrito "tabela de frete por região" ensina mais sobre a página do que o endereço dela.
O terceiro é levar o visitante adiante. Quem lê um texto sobre como escolher um ar-condicionado e encontra o link para a página de instalação na cidade dele tem um próximo passo. Sem o link, ele volta para o Google e clica no concorrente.
Link interno não é backlink. Backlink é o link que vem de outro site, e esse sinal de fora é assunto do passo a passo para aparecer no Google.
O que o Google pede de um link interno?
A página de práticas recomendadas de links da Central da Pesquisa Google cabe em cinco pontos:
- O link precisa ser um elemento
<a>comhref. Segundo o Google, a maioria dos links em outros formatos não é extraída pelos rastreadores dele. - Toda página importante precisa receber link de pelo menos uma outra página do site. É a frase mais direta da documentação sobre links internos.
- O texto âncora deve ser descritivo, razoavelmente conciso e relevante para a página em que está e para a página de destino.
- Não existe número ideal de links por página. O Google só diz que, se parecer demais, provavelmente é melhor reduzir.
- O contexto conta. As palavras antes e depois do link fazem diferença, e links colados uns nos outros atrapalham quem lê.
Repare no que ficou de fora: regra dos três cliques, quantidade de links por mil palavras, limite de 100 links. Nos dez guias que lemos para escrever este texto, achamos recomendações de 3 a 4 links por página, de 3 a 5 a cada mil palavras e alertas a partir de 100 e de 3.000 links. Nenhum mostra de onde tirou o número.
Como escrever um bom texto âncora?
Escreva o que o leitor vai encontrar do outro lado. O teste que o próprio Google sugere: leia só o texto do link, fora da frase. Se ele não se explica sozinho, está genérico.
| Em vez de | Escreva |
|---|---|
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Alguns cuidados completam a regra:
- Sem empilhar palavras-chave. O Google pede para resistir à vontade de enfiar no link todas as palavras-chave da página de destino e lembra que o excesso delas viola as políticas de spam. Se o leitor não precisa daquela palavra para entender para onde vai, ela sobra.
- Varie entre páginas. Linkar a mesma página com "instalação de ar-condicionado", "como é feita a instalação" e "agende a visita técnica" soa natural. O mesmo texto exato em todo link soa como fórmula.
- Nada de frase inteira. Um link de duas linhas dilui o assunto. Pegue o trecho que nomeia o destino.
Link em imagem segue a mesma lógica. Para imagens que funcionam como link, o Google usa o atributo alt como texto âncora. Um banner com alt="" vira um link sem texto nenhum.
Por que link feito com JavaScript ou ícone sem texto atrapalha?
Porque o robô não clica. Ele lê o HTML e procura endereços dentro de <a href>. O que precisa de um clique para virar endereço pode passar batido.
<!-- O Google consegue seguir -->
<a href="/servicos/instalacao">Instalação de ar-condicionado</a>
<!-- Formatos que o Google não recomenda -->
<span onclick="abrir('/servicos/instalacao')">Instalação</span>
<a onclick="abrir('/servicos/instalacao')">Instalação</a>
<a href="javascript:abrir('instalacao')">Instalação</a>
O Google diz que ainda pode tentar analisar os formatos de baixo, sem garantia. Ele também aceita link inserido por JavaScript, desde que o resultado final seja um <a href> comum.
Com os robôs das IAs, a margem é menor. A Vercel mediu o comportamento deles e publicou o resultado em dezembro de 2024: os principais, entre eles o GPTBot, da OpenAI, e o ClaudeBot, da Anthropic, não executam JavaScript. Eles baixam os arquivos, mas não rodam o código. Um menu que só aparece depois do script não existe para eles, e as páginas que só esse menu liga ficam fora do caminho. É o mesmo cuidado com o texto que explicamos no guia para aparecer no ChatGPT, agora aplicado aos links.
O teste leva um minuto. Com a página aberta, mostre o código-fonte (no Chrome, Ctrl+U) e busque com Ctrl+F o endereço de uma página que deveria estar linkada. Se ele não aparece dentro de um href, o robô que não executa JavaScript não chega lá por esse caminho. Para conferir o texto que esses robôs recebem, use a ferramenta como a IA vê sua página.
O ícone sem texto é o caso mais comum. Lupa, carrinho, seta de "próximo", logo de rede social: o link existe, mas não diz nada. Diante de um <a> vazio, o Google pode usar o atributo title como substituto. Melhor do que contar com isso é dar nome ao link: um aria-label="Buscar no site" no ícone ou um alt descritivo na imagem. Quem usa leitor de tela também ganha.
Como organizar os links por assunto?
Escolha, para cada assunto importante, uma página principal e ligue a ela as páginas que detalham partes do assunto, com links nos dois sentidos. O mercado chama isso de página pilar e cluster. Na prática, funciona como um livro: um índice e os capítulos.
Pense numa loja de café. A página principal é "Café especial: como escolher". Dela saem links para "Torra clara, média ou escura", "Moagem certa para cada método" e "Como guardar o café depois de aberto". Cada uma volta para a principal e linka a vizinha quando o assunto encosta: o texto sobre moagem cita o sabor e aponta para o de torra. A página de produto entra no fim do caminho, linkada de onde a dúvida vira compra.
Três hábitos mantêm essa estrutura de pé:
- Linke ao publicar. O texto novo já sai com links para as páginas que ele cita.
- Volte aos textos antigos. Com a página nova no ar, procure nos textos antigos os trechos que já falam do assunto e ponha o link ali. É o passo que mais se esquece e o que tira a página nova do isolamento.
- Menu para o que é fixo, texto para o contexto. O menu leva às páginas principais. O link no meio do parágrafo leva à página que responde à dúvida daquele parágrafo.
Quantos links internos colocar em cada página?
Os que ajudam o leitor naquele ponto do texto. O Google não define número, e o critério dele é de bom senso: se parece demais, corte. Um parágrafo com cinco links seguidos vira uma lista de atalhos e cada link perde o contexto.
No nosso blog, a gente usa uma régua própria: de dois a cinco links para outros posts num texto de tamanho médio, mais os links para as ferramentas quando o leitor pode testar algo na hora. É uma régua nossa, não do Google. Serve para não esquecer de linkar e para não transformar o texto num catálogo.
O que encontramos em sites brasileiros?
Nas análises que fizemos de 53 sites brasileiros em outubro de 2026, a regra de texto dos links se aplicou a 47. O validador olha os links do conteúdo da página, fora do menu, do cabeçalho e do rodapé.
| O que vimos | Sites |
|---|---|
| Links com texto genérico ("clique aqui", "saiba mais") | 5 de 47 (11%) |
| Links internos quebrados, levando a página com erro | 4 de 47 (9%) |
| Nenhum link interno que o validador conseguisse testar | 6 de 47 (13%) |
Links sem texto também apareceram, quase sempre em ícones e imagens, mas aqui não damos número, e o motivo é nosso. Ao revisar este levantamento, vimos que a régua que usamos em outubro contava como "sem texto" até o link de imagem com alt preenchido, que o Google aceita como texto âncora. Corrigimos a regra do validador, e o número volta a este texto quando medirmos de novo. O texto genérico é mais raro, mas quando aparece costuma vir do modelo do site: num dos cinco, eram 38 links genéricos na mesma página. Corrigir no modelo resolve todas as páginas de uma vez.
Links quebrados apareceram em poucos sites, mas num deles 3 dos 4 links internos testados davam erro. O validador trata um ou dois links quebrados como alerta e três ou mais como falha, porque cada um é um caminho cortado para o visitante e para o robô.
Como achar páginas órfãs e links quebrados?
Página órfã é a que nenhuma outra página do site linka. Ela pode até constar no sitemap, mas não está no caminho de ninguém. Pela documentação do Google, quando as páginas estão bem ligadas ele consegue achar a maior parte do site, e em sites grandes é mais difícil garantir que toda página receba pelo menos um link. Se uma página importante está parada como "Detectada, mas não indexada no momento" no Search Console, vale conferir se ela recebe links de páginas que o Google já visita.
Para achar órfãs sem ferramenta paga:
- No Search Console, abra Links e, em Links internos, veja as Principais páginas vinculadas. Clicando numa página, você vê quais páginas do site linkam para ela.
- Compare com o seu sitemap. Página importante que está no sitemap e não aparece entre as linkadas é candidata a órfã.
- Ligue essa página a partir de dois ou três textos do mesmo assunto, com texto âncora descritivo.
O relatório do Search Console para em mil linhas e não lista todos os endereços, então em site grande ele não mostra tudo. Nesse caso, um rastreador de sites, que percorre as páginas seguindo os links como um robô, mostra quantos links internos cada página recebe.
Para links quebrados, corrija o link, e não só o servidor. Se a página mudou de endereço, redirecione o antigo com 301 e troque o link para o endereço novo: o redirecionamento salva quem chega de fora, e o link corrigido poupa o salto para quem navega dentro do site. Se a página foi apagada sem substituta, tire o link. Na análise grátis do validador, a regra de links internos quebrados lista cada link com erro e a página onde ele aparece.
Devo colocar nofollow em links internos?
Não. Para links do próprio site, o nofollow não faz o que a maioria espera. Em setembro de 2019, o Google anunciou que passaria a tratar o nofollow como dica, e não como ordem, e desde 1º de março de 2020 ele é dica também para rastreamento e indexação. A documentação atual diz ainda que páginas com links nofollow podem ser rastreadas mesmo assim, porque o Google as encontra pelo sitemap ou por outros sites.
Se a ideia é impedir o Google de buscar uma página do seu site, a documentação é direta: use a regra disallow no robots.txt. Se o objetivo é tirar a página dos resultados, a marcação certa é noindex, e o robô precisa conseguir abrir a página para enxergá-la. O nofollow fica para o que o Google descreve: links para fontes em que você não confia, links pagos (de preferência com sponsored) e links deixados por usuários (com ugc).
No link interno, o nofollow só corta um caminho que você mesmo construiu. Um "fale conosco" com nofollow no rodapé não protege nada e deixa de ajudar a página de contato.
Como cuidamos dos links do blog do Nota do Site?
Com um mapa. Uma ferramenta interna lista, para cada post no ar, para quais posts ele linka e quais linkam para ele. Hoje, com nove posts publicados, cada um linka de um a seis outros e recebe link de um a sete. Nenhum está órfão.
O mapa também mostra o ponto fraco. O post sobre o que deixa um site lento linka só um outro post e recebe link de um só. Não é erro, mas é o próximo da fila para ganhar links de volta.
Duas regras do nosso processo vieram desse cuidado:
- Link para um post novo só depois que ele está no ar. Rascunho responde 404. Se um post publicado linkar um rascunho, o leitor cai numa página de erro e o validador acusa link quebrado. Por isso os links de volta entram só depois da publicação.
- Uma rotina confere tudo sozinha. Todo dia ela aponta post órfão, post que não linka nenhum outro e link interno quebrado. O aviso chega antes de o leitor tropeçar.
Para um site de empresa, a versão manual disso cabe numa planilha: uma linha por página importante, uma coluna com quem linka para ela e outra com para onde ela linka. Linha com a primeira coluna vazia é página órfã.
Por onde começar?
Comece pelas páginas que trazem venda ou contato: serviços, produtos principais, pedido de orçamento. Para cada uma, confira no Search Console quantas páginas internas linkam para ela. Se for nenhuma ou uma só, ligue a página a partir dos textos do mesmo assunto, com um texto que diga para onde o link leva. Depois, rode a análise do seu site para ver links sem texto, textos genéricos e links quebrados nas páginas que o validador lê, e corrija primeiro o que vem do modelo, porque esse erro se repete em todas as páginas.