Aparecer no Gemini é ser uma das páginas que o app lista no botão Fontes, ao lado da resposta. Não há cadastro, e o Gemini não tem robô próprio para você liberar. Quando o app consulta a web, ele usa o índice da Pesquisa Google, e quem decide se o seu conteúdo pode entrar nessa resposta é um token do robots.txt, o Google-Extended. É por ele que muito site sai do Gemini sem perceber: o dono bloqueia o token achando que está recusando só o treinamento de IA e, de quebra, tira as páginas do app.
Em que lugares o Gemini pode mostrar o seu site?
Em dois lugares, cada um com a sua chave. Um é o app Gemini, no navegador ou no celular. O outro são os recursos de IA da própria Pesquisa Google, o Modo IA e a Visão geral criada por IA, que muita gente também chama de Gemini. Para quem cuida de um site, a diferença pesa, porque o que tira a página de um não tira do outro.
| App Gemini | Visão geral e Modo IA | |
|---|---|---|
| De onde vem o conteúdo | Do índice da Pesquisa Google, consultado na hora da pergunta | Do índice da Pesquisa Google |
| O que a página precisa | Estar indexada, com o Google-Extended liberado | Estar indexada e poder mostrar trecho |
| Como o dono do site sai | Bloqueando o Google-Extended no robots.txt | Excluindo o site no Search Console, ou com nosnippet ou noindex |
| Onde medir | GA4, canal Assistente de IA | Search Console, relatório de performance da IA generativa |
A Visão geral criada por IA tem um guia só dela aqui no blog. Este texto fica no app e no que muda entre os dois.
No app, as fontes aparecem num botão chamado Fontes, abaixo da resposta ou ao longo dela, que abre um painel lateral com os links. A ajuda do Gemini avisa que nem toda resposta traz fontes. Se o botão não aparece, o app não indicou link nenhum para aquela resposta. Quando ele reproduz um trecho longo de uma página, o endereço dela aparece na lista.
O Gemini tem robô ou índice próprio?
Não. Na lista oficial de robôs do Google não existe um rastreador do Gemini. Quem percorre a web é o Googlebot, e o app usa o índice que ele monta. Na documentação, o Google chama isso de grounding: entregar ao modelo, no momento da pergunta, conteúdo do índice da Pesquisa, para a resposta sair mais correta e atual.
A consequência prática é simples. Página que não está na Pesquisa Google não tem como ser fonte do app. Se uma página importante não aparece nem com site:seudominio.com.br, o trabalho começa antes do Gemini: veja como descobrir por que uma página ficou fora do índice.
Na lista de leitores acionados por usuários, o Google cita dois nomes ligados aos produtos de IA:
- Google-GeminiNotebook, que abre os endereços que alguém adiciona como fonte de um projeto no Gemini Notebook. Ele substitui o antigo Google-NotebookLM, aceito até agosto de 2026.
- Google-Agent, usado por agentes hospedados no Google para navegar e executar tarefas a pedido de uma pessoa.
Como o pedido parte de alguém, o Google diz que esses leitores em geral ignoram o robots.txt. Escrever regra para eles no arquivo não muda nada. O que pode barrá-los é o firewall ou a proteção contra robôs da hospedagem.
O Google-Extended tira o site do Gemini?
Tira do app, sim. Pela documentação do Google, atualizada em 15 de outubro de 2026, o Google-Extended controla duas coisas de uma vez: se o conteúdo rastreado pode treinar as próximas gerações dos modelos Gemini e se ele pode embasar respostas nos apps do Gemini e na busca com grounding da Vertex AI, a plataforma de IA do Google Cloud. A documentação não oferece um token separado para cada função. Quem bloqueia um, bloqueia os dois.
O bloqueio costuma ter esta forma:
User-agent: Google-Extended
Disallow: /
Com esse grupo no arquivo, o app deixa de usar as suas páginas para responder. Apagar as duas linhas, ou trocar Disallow: / por Allow: /, devolve o site ao embasamento do app quando o Google ler o arquivo de novo.
O que o Google-Extended não faz, segundo a mesma página: não altera a presença do site na Pesquisa Google e não é sinal de ranking. Ele também não é a chave da Visão geral e do Modo IA. Para esses dois, o Google diz que a IA faz parte da Pesquisa, e por isso o controle é o do próprio Googlebot, mais as diretivas de trecho e o noindex.
Recusar o treinamento continua sendo uma decisão legítima, só que agora com o preço à vista: no Google, ela custa a presença no app. A comparação com os robôs da OpenAI e da Anthropic, que separam busca e treinamento em nomes diferentes, está no texto sobre o papel de cada robô de IA e quando barrar o treinamento compensa.
O que o Search Console passou a controlar em agosto de 2026?
A entrada do site na Visão geral criada por IA, no Modo IA e nos recursos de IA generativa do Discover. Desde 31 de agosto de 2026, toda propriedade tem em Configurações > IA generativa na Pesquisa a escolha entre incluir, que é o padrão, e excluir. Segundo a ajuda, a exclusão some com os links e com o uso do conteúdo como base dessas respostas em 1 ou 2 dias depois de ativada, embora parte do material possa demorar mais por causa de cache. O ranking do resto da Pesquisa não muda.
Esse controle tem dois limites. O primeiro está escrito na própria ajuda:
Esse controle não afeta o treinamento de IA. Para limitar o treinamento dos modelos usados para gerar respostas nos recursos de IA generativa na Pesquisa, use Google-Extended.
O segundo: o app Gemini não está na lista de recursos que ele cobre. Para o app, a chave documentada continua sendo o robots.txt.
Na mesma data, todo site ganhou acesso ao relatório de performance da IA generativa. O número que ele traz é de exibições, não de cliques: quantas vezes um link do site apareceu na Visão geral ou no Modo IA, separado por página, país, data e aparelho. O app Gemini também fica de fora dele. Se o relatório não aparece, a ajuda dá dois motivos: impressões de menos ou site excluído. Vale abrir a configuração uma vez para ter certeza de que ninguém marcou a exclusão por engano.
Quantos sites brasileiros se fecham para o Gemini?
Poucos, mas o bastante para servir de alerta. Lemos o robots.txt de 53 sites com domínio .br analisados pelo Nota do Site nos dias 20 a 22 daquele outubro de 2026, sem guardar nomes, e o retrato ficou assim:
- 6 bloqueiam pelo menos um robô de treinamento, de 1 a 7 nomes por arquivo, e em parte deles a lista inclui o Google-Extended. Os que barram esse token continuam na Pesquisa e podem aparecer na Visão geral, mas abriram mão do embasamento do app.
- 3 bloqueiam robôs de busca de IA, como OAI-SearchBot e PerplexityBot, o que os tira das respostas de outras empresas.
- Nenhum bloqueia a página inicial para o Googlebot, que é a porta de entrada de tudo o que o Google mostra.
No Nota do Site a escolha foi a oposta. O robots.txt é gerado pelo sistema, abre com um comentário dizendo que buscadores e robôs de IA, de busca, de assistentes e de treinamento, são bem-vindos, e tem um único grupo (User-agent: *) que barra só as áreas logadas e declara o sitemap. Não há linha para o Google-Extended; sem grupo próprio, ele segue o * e fica liberado. Um validador que quer ser citado quando alguém pergunta ao Gemini sobre robots.txt não pode se esconder do Gemini.
O que o Google pede no conteúdo para a página virar fonte?
O mesmo que pede para a Pesquisa. O Google não publicou um guia para o app Gemini. O que existe é o guia de otimização para os recursos de IA generativa da Pesquisa, atualizado em julho de 2026, e ele serve de pista oficial, porque o app tira o conteúdo do mesmo índice. Ali o Google diz que esses recursos se apoiam nos sistemas de ranking e de qualidade da busca e que, do ponto de vista dele, otimizar para a busca com IA continua sendo SEO.
O que o guia pede:
- Conteúdo que não é commodity. Ponto de vista próprio e experiência de primeira mão, em vez de repetir o que já está em dez outros sites. Um teste seu, um número seu, um caso seu.
- Texto organizado para quem lê, em seções com subtítulos claros.
- Imagens e vídeos de qualidade, quando ajudam a explicar.
- Página indexada, apta a trecho e liberada para rastreamento, no robots.txt e na CDN.
- Perfil da Empresa e Merchant Center atualizados, para negócio local e loja virtual.
E o que o mesmo guia diz que você pode ignorar: llms.txt e outros arquivos para IA, picar o texto em blocos pequenos, reescrever as páginas só para a IA, correr atrás de menções que não são espontâneas e acrescentar dados estruturados especiais. Não existe marcação schema.org própria para os recursos de IA.
O que os guias repetem e o Google não confirma?
Analisamos os dez primeiros resultados para "como aparecer no Gemini" em outubro de 2026. Algumas afirmações aparecem várias vezes sem respaldo na documentação:
- "O schema é a língua do Gemini." Seis dos dez tratam dados estruturados como peça obrigatória ou de grande peso. O guia do Google diz que eles não são exigidos para a busca com IA e servem para os resultados aprimorados.
- "O Google-Extended é o robô que coleta dados para o Gemini." Ninguém visita o seu site com esse nome: quem baixa as páginas são os robôs de sempre do Google, e o token só diz o que pode ser feito com elas.
- "Liberar o Google-Extended é obrigatório para aparecer na IA do Google." Vale para o app. Para os resumos e o Modo IA da busca, a chave é outra.
- "O Gemini prefere sites com autoridade de domínio alta." Não achamos nenhum documento do Google sobre o app que diga isso.
Só um dos dez fala do Google-Extended, e ainda o descreve como um robô que coleta páginas.
Como medir se o Gemini já cita o seu site?
Não existe painel oficial para o app. Junte três sinais:
- Pergunte ao app as dúvidas que o seu cliente faria, abra o botão Fontes e anote quando o site aparece. Repita em dias diferentes, porque as respostas mudam.
- No GA4, a ajuda do canal padrão Assistente de IA cita o Gemini entre os exemplos de origem. Em Aquisição de tráfego, troque a dimensão para origem da sessão e busque
gemini. A mesma ajuda diz que o canal deixa de fora a Visão geral e o Modo IA, que entram como tráfego do Google. - No Search Console, veja no relatório da IA generativa se o site é exibido nos recursos de IA da busca. Se ele registra exibições e o app nunca traz visita nenhuma, o primeiro suspeito é o Google-Extended.
Para os outros assistentes a lógica muda, porque cada empresa tem robôs próprios; o caminho equivalente no ChatGPT passa pelo OAI-SearchBot.
Checklist de 10 minutos para o Gemini
- Abra
seusite.com.br/robots.txte procureGoogle-Extended. Se houverDisallowe você quer aparecer no app, apague o grupo ou troque porAllow: /. A ferramenta que lê o robots.txt robô por robô mostra o que o arquivo libera para cada nome. - No Search Console, abra Configurações > IA generativa na Pesquisa e confirme que o site está incluído.
- Na Inspeção de URL, confira se as três páginas que mais vendem estão indexadas e sem
nosnippet. - Passe o seu domínio pelo validador: a análise mostra os robôs de treinamento e de busca barrados, o firewall e as diretivas de trecho de uma vez.
Feito isso, escolha uma pergunta que o seu cliente faz toda semana e faça ao Gemini hoje. Anote as fontes e repita daqui a um mês, depois dos ajustes.