Backlink é um link numa página de outro site que leva para o seu. Para conseguir backlinks sem risco, comece por quem já tem motivo para citar a sua empresa: o fornecedor que lista revendedores, a associação que publica os associados, o parceiro que indica o seu serviço, o evento que você apoiou, o jornal da cidade atrás de uma fonte. Depois, publique algo que outros sites queiram usar como referência. Fica de fora o atalho: comprar link, trocar link em massa e espalhar link em comentário e diretório, práticas que o Google descreve como spam.
O guia segue a documentação do Google, e não as notas de autoridade das ferramentas de SEO. No fim, contamos como o próprio Nota do Site, que estreou em outubro de 2026 sem nenhum link de fora, está tentando sair do zero.
Por que o Google dá peso a um link de outro site?
Porque o link é um jeito de alguém de fora dizer que a sua página merece a visita. Num texto de 2021 sobre links pagos, o Google escreveu que os links são uma das formas de entender que conteúdo pode ser útil para quem pesquisa, e que eles são bons de receber desde que sejam merecidos. Eles também servem de caminho: o robô descobre páginas novas seguindo links.
Duas confusões aparecem em quase todo texto sobre o assunto:
- Autoridade de domínio não é métrica do Google. DA, da Moz, DR, da Ahrefs, e Authority Score, da Semrush, são notas que cada empresa calcula com os próprios dados. O guia do Google sobre IA generativa na busca lembra que nenhuma ferramenta de terceiros tem acesso aos sistemas internos de classificação dele. Um portal de nota alta sem relação com o seu ramo vale menos para o seu cliente do que a página da associação do seu setor.
- Backlink não é o link entre páginas do seu próprio site. Esse é o link interno, mas o cuidado com como escrever o texto de um link vale nos dois casos.
Que links um negócio pequeno consegue de forma honesta?
Os que nascem de uma relação que já existe fora da internet. Liste quem já trabalha com você e veja se essas empresas e entidades têm uma página onde o seu link ajudaria o visitante delas.
| De onde vem o link | Onde ele costuma ficar | Como pedir |
|---|---|---|
| Fornecedor ou fabricante | Lista de revendedores, assistências autorizadas ou "onde comprar" | Pergunte ao comercial se a lista existe e mande nome, cidade e site |
| Associação comercial, sindicato ou entidade de classe | Lista de associados, guia de serviços, notícias | Confira se a sua ficha de associado tem campo de site e se ele está preenchido |
| Imprensa local ou do setor | Reportagem, coluna de serviço, entrevista | Ofereça o que o jornalista não tem: um dado do seu atendimento, uma explicação técnica |
| Parceiro de serviço complementar | Página de parceiros ou indicação num texto | Combine a indicação de clientes, não a troca de links: o arquiteto que indica a marcenaria |
| Evento, feira ou patrocínio | Página de expositores ou apoiadores | Peça o link e aceite que ele venha com rel="sponsored", como explicamos abaixo |
| Cliente empresa | Estudo de caso ou página de fornecedores | Proponha escrever o caso junto, com números que o cliente autorize |
| Faculdade ou escola técnica | Convênio de estágio, palestra, projeto | Ofereça vaga, visita técnica ou aula convidada |
Nenhuma linha começa com "me dá um link". Ele vem como consequência de algo que já acontece no seu dia a dia, e por isso é difícil de copiar: o concorrente compra o mesmo publieditorial que você, mas não entra na lista de revendedores do seu fornecedor exclusivo. Um parceiro de verdade indicando o outro é normal. Uma página de "parceiros" com dezenas de sites que só trocam link entre si é o que as regras do Google chamam de troca excessiva.
Para quem atende no endereço ou na região, há um ganho extra. A ajuda do Perfil da Empresa no Google diz que o destaque de uma empresa nos resultados locais leva em conta, entre outras informações, quantos sites têm links para ela.
Como achar quem já fala da sua marca sem linkar?
Pesquise o nome da empresa entre aspas, tirando o seu domínio da busca, e compare o resultado com a lista de sites que já linkam para você no Search Console. Quem cita e não aparece na lista é o pedido mais fácil que existe, porque a pessoa já escreveu sobre você.
- Busque as menções. O operador é o mesmo da busca de reputação que o avaliador do Google faz:
"nome da empresa" -site:seusite.com.br. Repita com o nome do dono, com um produto conhecido e com os erros de grafia mais comuns da marca. - Receba as novas por e-mail. No Alertas do Google, crie um alerta com o nome da empresa entre aspas. O serviço avisa quando surgem resultados novos para o termo.
- Cruze com quem já linka. No Search Console, abra Links > Links externos > Principais sites com links. O site que menciona a marca e não está ali provavelmente não tem link. Como o relatório é uma amostra, abra a página e confira se o nome é clicável.
- Peça com uma mensagem curta. Agradeça a menção, diga em que página ela está e mande o endereço exato que faz sentido linkar. Se o texto traz telefone antigo ou endereço errado, comece por aí: corrigir a informação é um motivo melhor do que o link.
O mesmo relatório mostra, em Principais páginas vinculadas, se algum link de fora aponta para uma página que já não existe. Recuperar esse link com um redirecionamento é um dos cuidados que a auditoria do site já inclui.
O que publicar para outros sites quererem citar?
Algo que o seu setor usa e que só você tem. Quem escreve sobre um assunto procura uma fonte para apontar. Alguns exemplos para negócio pequeno:
- Um dado do seu atendimento. A oficina que conta quais peças mais trocou no ano, a imobiliária que publica o tempo médio para alugar no bairro, a autoescola que mostra em que parte da prova os alunos mais reprovam. Explique como chegou ao número, ou ninguém sério cita.
- Uma ferramenta simples. Calculadora de consumo, simulador de parcelas, conversor de medidas do seu ramo.
- Um guia de referência local. Calendário das feiras do setor no estado, documentos para tirar um alvará na sua cidade, mapa dos pontos de coleta.
- Uma página de imprensa com fotos liberadas, dados da empresa e um contato que responde no mesmo dia. Jornalista com prazo apertado cita quem facilita.
Nada disso garante link. O que muda é a chance de alguém precisar da sua página e linkar sem você pedir, que é o link merecido de que o Google fala. É o raciocínio dos sinais de fora no roteiro para o site entrar no Google, aqui com exemplos.
O que o Google considera spam de links?
Qualquer link criado com o objetivo principal de manipular a posição na busca, apontando para o seu site ou saindo dele. As políticas de spam do Google, atualizadas em setembro de 2026, dão exemplos. Resumidos com as nossas palavras:
- comprar ou vender link para subir na busca, o que inclui pagar por post com link, trocar produto ou serviço por link e mandar produto grátis em troca de resenha com link;
- trocar links em excesso ("eu linko você, você me linka") ou montar página de parceiros só para cruzar links;
- criar links com programa ou serviço automático, ou exigir link em contrato sem deixar o outro lado qualificá-lo;
- publieditorial, post de convidado ou release distribuído com links que passam crédito ou com texto âncora recheado de palavra-chave;
- links em diretórios e sites de favoritos de baixa qualidade, em widgets e rodapés espalhados por vários sites e em comentários de fórum com link otimizado na assinatura;
- conteúdo de pouco valor feito principalmente para manipular links.
A política não usa a sigla PBN, de rede privada de blogs, mas ela cabe no último item: vários sites criados só para linkar o site principal. Uma variação tem regra própria, o abuso de domínio expirado, que é comprar um domínio com histórico e enchê-lo de conteúdo sem valor para aproveitar a reputação antiga. Entre os resultados para "comprar backlinks", há um artigo antigo que recomenda comprar blogs em vez de links. Se o blog comprado existe só para apontar para a sua loja, mudar o nome da prática não muda o que ela é.
Comprar backlinks vale a pena?
Para subir no Google, não. Comprar link não é proibido em si. A própria política diz:
O Google entende que comprar e vender links é uma prática econômica normal na Web, para fins de publicidade e patrocínio.
A condição vem na frase seguinte: o link precisa levar rel="sponsored" ou rel="nofollow", o que tira dele o crédito para a classificação. O pacote de "backlinks dofollow" vendido por portais e grupos de SEO é justamente o que a regra proíbe.
O risco não é teórico. Em dezembro de 2022, o Google anunciou que o SpamBrain, o sistema dele de combate a spam baseado em IA, passou a detectar tanto quem compra links quanto os sites usados para repassá-los, e que o crédito desses links artificiais se perde. Há dois desfechos:
- O link é neutralizado. Você pagou e não recebeu nada, e nada avisa: o relatório Ações manuais do Search Console só mostra o que uma pessoa do Google aplicou.
- O site recebe uma ação manual. A ação "Links artificiais para seu site" vem quando o Google detecta um padrão de links artificiais, enganosos ou manipuladores apontando para você, e pode atingir parte do site ou o site inteiro. Em 2021, o Google já tinha avisado que posts patrocinados e de convidados em excesso, sem a marcação certa, podem gerar ações manuais e algorítmicas para quem publica e para quem compra.
Pagar por visibilidade continua legítimo: anúncio num portal do setor, patrocínio de evento, post patrocinado identificado. Pague pelo público que vai ver, não pelo link.
Quando usar sponsored, ugc e nofollow?
Use sponsored em link pago, ugc em link deixado por usuário e nofollow quando nenhum dos dois se aplica e você prefere não associar o seu site ao destino. É o que pede a página do Google sobre como qualificar links externos:
| Atributo | Para que serve | Exemplo |
|---|---|---|
rel="sponsored" |
Publicidade, posição paga, link de afiliado | O logo do patrocinador na página do evento que você organiza |
rel="ugc" |
Conteúdo criado por usuários, como comentários e fóruns | O link que um cliente deixou numa avaliação publicada no seu site |
rel="nofollow" |
Os outros não se aplicam e você não quer associar seu site ao destino | O link para uma página duvidosa citada como exemplo do que não fazer |
Dá para combinar valores, como rel="ugc nofollow". O nofollow era a recomendação antiga para link pago e continua aceito, mas o Google diz que o ideal agora é sponsored. Em geral, ele não segue links com esses atributos, embora a página de destino ainda possa ser rastreada se for encontrada pelo sitemap ou por outros links.
A regra vale para os dois lados. Se você patrocina a feira e o organizador marca o seu link com sponsored, ele está certo, e o link continua trazendo visita e mostrando a marca. Se é você quem publica conteúdo pago de outra empresa, a marcação é responsabilidade sua.
Preciso rejeitar links tóxicos?
Quase nunca. A página de ajuda da rejeição de links começa justamente por aí:
Na maioria dos casos, o Google pode avaliar os links confiáveis sem orientações adicionais, de modo que a maior parte dos sites não precisará usar essa ferramenta.
O uso só se justifica com duas condições juntas: muitos links artificiais, de spam ou de baixa qualidade apontando para o seu site, e uma ação manual causada por eles, já aplicada ou provável.
Nesse caso, a ordem é esta:
- Peça a remoção na origem. É o primeiro passo que o Google recomenda. O dono do outro site também pode marcar o link com
nofollowou um atributo mais específico. - Monte um arquivo .txt em UTF-8, com um endereço por linha ou
domain:exemplo.com.brpara o domínio inteiro. - Envie o arquivo na ferramenta de rejeição. Cada envio substitui a lista anterior, e o Google pode levar algumas semanas para incorporar a mudança.
Dois detalhes pegam muita gente. A ferramenta não funciona em propriedade do tipo domínio no Search Console, só em propriedade por prefixo de URL. E os links rejeitados continuam aparecendo no relatório Links.
Há também o medo do inverso: um concorrente apontando links ruins para o seu site. A mesma página diz que o Google se esforça para que ações de sites de terceiros não prejudiquem o seu. Sem ação manual, uma ferramenta paga marcando dezenas de links como "tóxicos" não é motivo para rejeitar nada.
Onde ver os backlinks do seu site?
No relatório Links do Search Console, que é gratuito. Em Links externos, ele traz as suas páginas com mais links de fora, os sites que mais linkam para você e os textos mais usados nesses links. A exportação também baixa os links mais recentes em ordem de data. A própria ajuda faz três ressalvas: é uma amostra, e cada tabela para em mil linhas; inclui links encontrados ao longo do tempo, alguns já removidos; e não informa se o link tem nofollow.
Os textos dos links são o melhor termômetro. Se aparecer âncora com palavra-chave exata que você nunca pediu, vale descobrir de onde veio. Para cruzar com outra fonte, a conta grátis da Ahrefs e as outras ferramentas sem custo completam o quadro. O Nota do Site não mede links de outros sites: a análise lê o seu site, não o resto da internet.
Links de fora ajudam a aparecer nas respostas das IAs?
Ajudam pelo mesmo caminho do Google comum, sem atalho. O guia do Google sobre IA generativa na busca afirma que o Modo IA e os resumos gerados por IA partem dos mesmos sistemas que ordenam e avaliam a busca comum. O mesmo texto diz que esses recursos podem mostrar o que se fala de produtos e serviços em blogs, vídeos e fóruns e, na frase seguinte, avisa que procurar menções "não autênticas" rende menos do que parece, porque a IA depende também dos sistemas que bloqueiam spam.
Há um estudo que mede essa relação e publica o método. Em maio de 2025, a Ahrefs cruzou cerca de 75 mil marcas com as vezes em que cada uma aparecia nos resumos de IA do Google. Cerca de 26% não tinham nenhuma menção e ficaram fora da conta. Entre as demais, as menções à marca em outros sites tiveram a correlação mais alta entre os fatores medidos, 0,664 na escala de Spearman, contra 0,218 do número de backlinks. Leia com três cuidados: correlação não prova causa; a amostra só inclui marcas com DR acima de 40, a nota da própria Ahrefs, o que deixa de fora a maior parte dos negócios pequenos; e a Ahrefs vende a ferramenta que mede essas menções.
A conclusão prática não muda: ser citado de verdade, por quem tem motivo, conta para o Google e para as IAs. No ChatGPT, que busca a web por meio de provedores de terceiros, o que muda para ser citado pelo ChatGPT também passa por comparativos e reportagens em outros sites.
Como o Nota do Site está buscando os primeiros links?
Do zero, como qualquer site novo. Quando o Nota do Site foi ao ar, em 22 de outubro de 2026, nenhum site apontava para ele. Não temos número de backlinks para mostrar, e as análises de 53 sites brasileiros que usamos em outros posts não ajudam aqui, porque o validador não mede links de fora. O que estamos fazendo, sem promessa de resultado:
- Ferramentas grátis que dá para indicar. As sete ferramentas, como o testador de robots.txt e o verificador de dados estruturados, resolvem uma dúvida de cada vez. É o tipo de página que um professor, um fórum ou um tutorial indica a quem pergunta.
- Dados próprios com o método à vista. O panorama vai reunir números agregados das análises, sem identificar nenhum site. Hoje ele ainda está coletando: os números só aparecem com pelo menos 30 sites na amostra. A metodologia explica cada regra, para que quem citar um número saiba de onde ele veio.
- O que não vamos fazer. Comprar link, trocar link com outros sites de SEO ou cadastrar o site em diretório genérico.
Qual o primeiro link para pedir esta semana?
O da empresa que já tem uma página pronta para receber o seu nome. Abra uma planilha e liste uns dez nomes que já se relacionam com você: fornecedores, a associação do seu setor ou da sua cidade, parceiros, eventos do último ano, clientes empresa mais antigos. Para cada um, procure no site deles a página onde o seu link ajudaria o visitante e mande a primeira mensagem para quem tem a página mais óbvia, como a lista de revendedores. Depois, crie o alerta com o nome da marca e reserve meia hora por mês para o relatório Links do Search Console.