Nota do Site

Auditoria de SEO: como analisar seu site passo a passo

Henrique Feng Por Publicado em

Resposta rápida

Auditoria de SEO é o diagnóstico de um site que já está no ar, feito na ordem do impacto: primeiro o que impede o Google de indexar as páginas, depois os erros técnicos, o conteúdo, os dados estruturados, a velocidade e o acesso dos robôs de IA. Dá para fazer de graça com o Search Console e um validador. O que decide o resultado é separar o problema crítico do detalhe.

Uma auditoria de SEO é um diagnóstico do site que já está no ar: você confere, numa ordem fixa, o que impede o Google de guardar, entender e mostrar as suas páginas, e sai com uma lista do que corrigir primeiro. A ordem é a parte que mais importa. Título com 65 caracteres não faz diferença se a página principal está com noindex, e é fácil perder uma tarde no detalhe enquanto o problema grave continua lá.

Este checklist segue a ordem de impacto que a gente usa no validador: indexação, parte técnica, conteúdo, dados estruturados, velocidade e acesso das IAs. Para cada item, você vê onde conferir de graça e quando ele é problema de verdade. Se o seu site ainda nem aparece no Google, comece pelo guia para colocar o site no índice e volte aqui depois.

O que separar antes de começar

Três coisas deixam a auditoria mais rápida e mais útil:

  1. Acesso ao Google Search Console. É dali que saem os dados que nenhuma ferramenta externa enxerga: o que está indexado, as ações manuais e as buscas que trazem visitas.
  2. A lista das páginas que importam. A página inicial, as páginas de serviço ou de categoria, os produtos que mais vendem e os textos que mais recebem visitas. Comece por elas. Um erro numa página que ninguém visita pode esperar.
  3. Uma planilha simples, com cinco colunas: problema, página, gravidade, quem corrige e quando. Sem isso, a auditoria vira um relatório que ninguém abre de novo.

Passo 1: confira se o Google consegue indexar as páginas

Nada do resto adianta se a página não entra no índice. Esta etapa tem poucos itens, mas qualquer falha aqui é crítica.

O que conferir Onde conferir É problema de verdade quando
Página inicial e páginas importantes indexadas Inspeção de URL do Search Console Uma página que deveria trazer visitas está fora do índice
noindex esquecido Código-fonte da página (Ctrl+U) ou o validador Aparece em página que deveria estar no Google
robots.txt bloqueando o Googlebot Testador de robots.txt Um Disallow cobre páginas que você quer no Google
Ações manuais Relatório de ações manuais do Search Console Existe qualquer uma. É raro, mas vai para o topo da lista
Sitemap Relatório de sitemaps do Search Console Não existe, dá erro ou lista páginas que não deveriam estar lá

Um cuidado com o relatório de indexação de páginas. A própria ajuda do Search Console avisa:

Não espere que todos os URLs do site sejam indexados.

Página de filtro, versão duplicada e endereço de teste fora do índice é o normal. Problema é página importante fora, e o motivo de cada status aparece no próprio relatório.

Passo 2: garanta que cada página tem um endereço só

Nas nossas análises, 14 dos 53 sites tinham canonical ausente ou apontando para outro endereço, e 12 não unificavam direito as versões com e sem www. O Google precisa saber qual é o endereço oficial de cada página. Quando o site responde em várias versões, ele escolhe uma sozinho, e nem sempre a que você queria.

  • HTTPS. Todo endereço http:// deve redirecionar com 301 para a versão https://. O Google prefere a versão HTTPS como oficial, exceto quando há conflito, como certificado inválido.
  • Com ou sem www. Escolha uma versão e redirecione a outra com 301. Abra as duas no navegador: as duas devem terminar no mesmo endereço.
  • Canonical. Cada página deve ter um <link rel="canonical"> apontando para ela mesma. O sinal de alerta é o canonical de todas as páginas apontando para a página inicial ou para o ambiente de testes, porque aí o Google entende que elas são cópias.
  • Links quebrados e páginas com erro. Links internos que levam a erro 404 ou 500 cortam o caminho do visitante e do robô. Em site com muitas páginas, um rastreador percorre tudo por você: o Screaming Frog, por exemplo, lê até 500 endereços na versão gratuita.
  • Página inexistente respondendo 200. Digite um endereço inventado do seu site. Se aparecer a página "não encontrada", mas com código 200, o Google chama isso de soft 404: a página diz que não existe e o servidor diz que existe.
  • Celular. O Google indexa pela versão de celular. A ferramenta Teste de compatibilidade com dispositivos móveis, que muitos guias ainda recomendam, foi aposentada em dezembro de 2023. Hoje o caminho é o Lighthouse, no Chrome, ou o PageSpeed Insights.

Um aviso do que não é problema. No dia em que o Nota do Site foi ao ar, o Henrique buscou site:notadosite.com.br e o Google mostrava o endereço sem www, mesmo com o 301 para a versão com www, o canonical e o sitemap certos. O Google tinha guardado a versão de antes do redirecionamento e só troca quando volta a rastrear a página. Se a configuração está certa, espere. Pela documentação do Google, o redirecionamento e o canonical são sinais fortes, e o sitemap é um sinal fraco: os três juntos resolvem, só não na hora.

Passo 3: revise o conteúdo de cada página importante

Com o acesso resolvido, a pergunta muda: cada página diz claramente do que trata? A verificação de meta tags mostra título, descrição e Open Graph de uma página em segundos.

  • Título (<title>). Um por página, único e descrevendo o assunto. O validador usa a faixa de 30 a 60 caracteres porque o Google corta o título que não cabe no resultado, mas o próprio Google diz que não há limite de tamanho. Problema de verdade é página sem título, título repetido em dezenas de páginas ou duas tags <title> no mesmo código.
  • Meta description. O Google monta o trecho do resultado a partir do conteúdo da página e só usa a sua descrição quando ela descreve melhor. Mesmo assim, página sem descrição deixa a escolha toda com ele.
  • H1 e subtítulos. Um H1 dizendo o assunto. A ordem dos subtítulos ajuda leitores de tela, mas o Google diz que, para a busca, pular de H2 para H4 não importa. É detalhe.
  • Resposta no começo. Quem chega por uma pergunta quer a resposta no primeiro parágrafo. É também o formato que o buscador consegue recortar e mostrar como resposta, no trecho em destaque ou num resumo de IA.
  • Conteúdo raso. O Google afirma que não existe número mínimo de palavras. A página rasa é a que não responde ao que a pessoa buscou, tenha ela 100 ou 1.000 palavras.
  • Texto alternativo das imagens. Descreva o que a imagem mostra. Imagem decorativa leva alt="".

Dois falsos problemas que aparecem em relatório de ferramenta: a meta tag keywords, que o Google diz não usar, e o medo de "punição por conteúdo duplicado". Pela documentação do Google, conteúdo duplicado dentro do site não viola as políticas contra spam. O efeito real é o Google escolher uma das versões para mostrar, e isso se resolve com o passo 2.

Passo 4: confira os dados estruturados

Dados estruturados (Schema.org, quase sempre em JSON-LD) dizem às máquinas quem é a empresa, qual é o produto, quem escreveu o texto. Na auditoria, bastam três perguntas:

  1. Existe marcação? Pelo menos Organization na página inicial, e o tipo certo nas páginas de artigo (Article) e de produto (Product).
  2. O código é válido? Um bloco JSON-LD com erro de sintaxe não pode ser lido, e tudo o que está nele se perde. Teste no verificador de dados estruturados ou no Teste de pesquisa aprimorada, do Google.
  3. A marcação bate com o que está visível? Se o schema fala de algo que não aparece para o visitante, ele vai contra as diretrizes do Google.

Faltar uma propriedade recomendada é detalhe. E marcação certa não é garantia de nada: o Google afirma que dados estruturados permitem o resultado enriquecido, mas não garantem que ele apareça.

Passo 5: meça a velocidade

Aqui a auditoria só precisa responder a uma pergunta: a lentidão vem do servidor ou da página? Se o tempo até o primeiro byte passa de 0,8 segundo, é o servidor. Se não, é peso de imagem e de script. O caminho completo, com o que corrigir em cada caso, está no nosso guia sobre o que deixa um site lento. Nas mesmas análises de sites brasileiros, o servidor quase nunca era o culpado.

Passo 6: confira se as IAs conseguem ler o site

Nenhum dos dez guias de auditoria que lemos para preparar este texto traz este passo. E é onde sites bem cuidados no Google costumam falhar.

  • Robôs de busca das IAs liberados. OAI-SearchBot, Claude-SearchBot e PerplexityBot precisam estar livres no robots.txt e no firewall. Veja quais robôs de IA liberar e quais bloquear.
  • Texto no HTML. Segundo um levantamento da Vercel, os principais robôs de IA não executam JavaScript. Texto que depende de script para aparecer não existe para eles. Cole o endereço na ferramenta como a IA vê sua página e confira se o texto principal está lá.
  • Trecho liberado. Para aparecer nas visões gerais do Google, a página precisa estar indexada e poder ser mostrada com trecho. Um nosnippet tira essa possibilidade.

Conseguir ler é só a entrada. O que faz uma IA escolher o seu texto como fonte está no guia de GEO.

Para um site de empresa, dois cuidados com os links que vêm de fora resolvem a maior parte, mesmo que muitos guias dediquem vários passos ao assunto. No relatório Links do Search Console, veja quais páginas mais recebem links e confirme que nenhuma delas responde erro: link de fora apontando para página que sumiu é visita perdida, e um redirecionamento 301 para a página nova recupera. E desconfie de ferramenta que manda rejeitar links "tóxicos". A ajuda do Search Console diz que a maior parte dos sites não precisa da ferramenta de rejeição, que serve para quando links artificiais causaram ou podem causar uma ação manual.

Quer rodar o diagnóstico de uma vez?

Os seis passos à mão levam uma tarde. Se você quer o retrato inteiro antes de abrir a planilha, cole o endereço no validador grátis. Ele lê a página inicial e algumas páginas internas como um robô, sem executar JavaScript, passa por 81 regras e marca cada problema com a gravidade. O que ele não vê: os dados do Search Console (indexação real, ações manuais, buscas) e os links de outros sites. Esses continuam sendo conferidos lá.

Quais problemas mais aparecem em sites brasileiros?

Os mais frequentes são falta de resumo no começo da página, dados estruturados incompletos e subtítulos que não conversam com as perguntas do leitor. Os mais graves quase não aparecem. Nas análises que fizemos de 53 sites brasileiros em outubro de 2026, lendo a página inicial e páginas internas de cada um, o retrato foi este. A gravidade é a que o validador atribui a cada regra.

Problema encontrado Sites Gravidade
Página inicial sem parágrafo de resumo antes do primeiro subtítulo 31 de 38 em que a regra se aplica (82%) Média
Marcação WebSite incompleta 31 de 53 (58%) Baixa
Nenhuma página lida com subtítulo em forma de pergunta 30 de 53 (57%) Média
Sem Organization nos dados estruturados 29 de 53 (55%) Alta
Hierarquia de títulos fora de ordem 24 de 53 (45%) Baixa
Open Graph ausente ou incompleto 23 de 53 (43%) Média
Título da página inicial ausente, curto, longo ou com duas tags 22 de 53 (42%) Alta
Sitemap ausente ou com alerta 19 de 53 (36%) Média
Nenhum dado estruturado 16 de 53 (30%) Alta
Meta description ausente, curta ou longa 16 de 53 (30%) Média
Canonical apontando para outro endereço ou ausente 14 de 53 (26%) Alta
Versões com e sem www (ou http) não unificadas ou com alerta 12 de 53 (23%) Média
Sem HTTPS correto 5 de 53 (9%) Crítica
noindex na página inicial 0 de 53 Crítica

Duas leituras saem dessa tabela. A primeira: os problemas mais frequentes não são os mais graves. Nenhum dos 53 sites tinha noindex na página inicial, e o topo da lista é ocupado por resumo, schema e subtítulos, que, tirando a falta de Organization, pesam pouco ou médio. A segunda: o título continua sendo problema nas páginas internas. Nas 302 páginas lidas, 74 tinham título curto demais, 49 longo demais, 9 nenhum e 6 vinham com duas tags <title>. Na meta description, 28 não tinham nenhuma. Quando o erro vem do modelo da página, ele se repete em todas as páginas que usam esse modelo.

Como priorizar: crítico, importante e detalhe

Com a lista na mão, divida em três grupos. A regra é simples: primeiro o que tira a página do Google, depois o que confunde o Google, por último o que só melhora a apresentação.

Grupo Exemplos Quando corrigir
Crítico noindex ou robots.txt bloqueando páginas importantes, páginas com erro, site sem HTTPS, ação manual, robôs de busca de IA bloqueados, texto que só aparece com JavaScript Hoje
Importante Canonical apontando para outro endereço, www não unificado, sem sitemap, título ausente ou repetido, links quebrados, JSON-LD inválido Nas próximas semanas
Detalhe Título com alguns caracteres a mais, subtítulo pulando nível, Open Graph incompleto, propriedade recomendada faltando no schema Quando mexer na página

Dentro de cada grupo, olhe o alcance. Um erro no modelo do site (o cabeçalho, o tema, o plugin de SEO) aparece em todas as páginas e se corrige uma vez só. Esse vem antes do erro isolado numa página.

Com que frequência refazer a auditoria?

Três ritmos funcionam bem para um site de empresa:

  • No mesmo dia de qualquer mudança grande: troca de tema, de plataforma, de hospedagem ou de domínio, plugin de SEO novo, migração para HTTPS. É quando o noindex do ambiente de testes vai para o ar sem ninguém notar.
  • Uma vez por mês, 15 minutos no Search Console: relatório de indexação, ações manuais, Core Web Vitals e as buscas que trazem visitas.
  • A cada três meses, o checklist completo, começando pelas páginas que importam.

Fora do calendário, refaça quando o tráfego orgânico cair de repente. Antes de mexer no site, compare a data da queda com o painel de status da Pesquisa Google, que registra as atualizações de ranking.

Depois de corrigir, não espere efeito no dia seguinte. O próprio Google diz que algumas mudanças aparecem em horas e outras levam meses. Anote na planilha a data de cada correção para saber, lá na frente, o que funcionou.

Perguntas frequentes

Dá para fazer uma auditoria de SEO de graça?

Dá. O Google Search Console mostra indexação, ações manuais, links e as buscas que trazem visitas. O PageSpeed Insights e o Lighthouse medem velocidade e celular. Para a parte técnica e o conteúdo, um validador gratuito confere de uma vez robots.txt, canonical, títulos e dados estruturados. Ferramenta paga ajuda em site muito grande e na análise de concorrentes, não no diagnóstico básico.

Com que frequência devo fazer auditoria de SEO?

Para a maioria dos sites de empresa, funciona assim: 15 minutos no Search Console uma vez por mês e o checklist completo a cada três meses. Fora disso, refaça no mesmo dia de qualquer mudança grande, como troca de tema, plataforma ou domínio, e quando o tráfego orgânico cair de repente.

Nota alta numa ferramenta de auditoria garante boa posição no Google?

Não. A auditoria mostra se o Google consegue acessar, entender e indexar as páginas. A posição depende de a página responder melhor que as concorrentes ao que a pessoa buscou e da confiança que outros sites dão a ela. Nota alta tira os obstáculos do caminho, mas não substitui conteúdo útil.

Conteúdo duplicado gera punição do Google?

Não. Segundo a documentação do Google, ter conteúdo duplicado no próprio site não viola as políticas contra spam. O que acontece é o Google escolher uma das versões para mostrar, que pode não ser a que você prefere. Para indicar a versão certa, use redirecionamento 301 e a tag canonical.

Preciso contratar uma agência para fazer a auditoria de SEO?

Para o diagnóstico, não. Com o Search Console e um checklist em ordem de impacto, quem cuida do site consegue achar os problemas críticos. A ajuda profissional faz diferença na correção, quando ela exige mexer no servidor, no tema ou numa migração de domínio, e em sites com milhares de páginas.

Fontes

  1. Guia de otimização de mecanismos de pesquisa (SEO) para iniciantes · Google Search Central
  2. Relatório de indexação de páginas · Ajuda do Search Console
  3. Relatório de ações manuais · Ajuda do Search Console
  4. Como especificar um URL canônico com rel="canonical" e outros métodos · Google Search Central
  5. Práticas recomendadas para sites móveis e indexação que prioriza dispositivos móveis · Google Search Central
  6. The role of page experience in creating helpful content · Google Search Central Blog
  7. Links de título nos resultados da Pesquisa Google · Google Search Central
  8. Snippets e meta descriptions · Google Search Central
  9. Diretrizes gerais de dados estruturados · Google Search Central
  10. Recursos de IA e seu site · Google Search Central
  11. Time to First Byte (TTFB) · web.dev
  12. The rise of the AI crawler · Vercel
  13. Rejeitar links para o site · Ajuda do Search Console
  14. Screaming Frog SEO Spider · Screaming Frog
  15. Google Search Status Dashboard · Google

Este artigo ajudou?

Compartilhar: WhatsApp LinkedIn X Facebook

Leia também

Sugestões, problemas e reclamações

Usamos a mensagem só para melhorar o site e, se você deixar o e-mail, para responder. Veja a política de privacidade.