Uma auditoria de SEO é um diagnóstico do site que já está no ar: você confere, numa ordem fixa, o que impede o Google de guardar, entender e mostrar as suas páginas, e sai com uma lista do que corrigir primeiro. A ordem é a parte que mais importa. Título com 65 caracteres não faz diferença se a página principal está com noindex, e é fácil perder uma tarde no detalhe enquanto o problema grave continua lá.
Este checklist segue a ordem de impacto que a gente usa no validador: indexação, parte técnica, conteúdo, dados estruturados, velocidade e acesso das IAs. Para cada item, você vê onde conferir de graça e quando ele é problema de verdade. Se o seu site ainda nem aparece no Google, comece pelo guia para colocar o site no índice e volte aqui depois.
O que separar antes de começar
Três coisas deixam a auditoria mais rápida e mais útil:
- Acesso ao Google Search Console. É dali que saem os dados que nenhuma ferramenta externa enxerga: o que está indexado, as ações manuais e as buscas que trazem visitas.
- A lista das páginas que importam. A página inicial, as páginas de serviço ou de categoria, os produtos que mais vendem e os textos que mais recebem visitas. Comece por elas. Um erro numa página que ninguém visita pode esperar.
- Uma planilha simples, com cinco colunas: problema, página, gravidade, quem corrige e quando. Sem isso, a auditoria vira um relatório que ninguém abre de novo.
Passo 1: confira se o Google consegue indexar as páginas
Nada do resto adianta se a página não entra no índice. Esta etapa tem poucos itens, mas qualquer falha aqui é crítica.
| O que conferir | Onde conferir | É problema de verdade quando |
|---|---|---|
| Página inicial e páginas importantes indexadas | Inspeção de URL do Search Console | Uma página que deveria trazer visitas está fora do índice |
noindex esquecido |
Código-fonte da página (Ctrl+U) ou o validador | Aparece em página que deveria estar no Google |
| robots.txt bloqueando o Googlebot | Testador de robots.txt | Um Disallow cobre páginas que você quer no Google |
| Ações manuais | Relatório de ações manuais do Search Console | Existe qualquer uma. É raro, mas vai para o topo da lista |
| Sitemap | Relatório de sitemaps do Search Console | Não existe, dá erro ou lista páginas que não deveriam estar lá |
Um cuidado com o relatório de indexação de páginas. A própria ajuda do Search Console avisa:
Não espere que todos os URLs do site sejam indexados.
Página de filtro, versão duplicada e endereço de teste fora do índice é o normal. Problema é página importante fora, e o motivo de cada status aparece no próprio relatório.
Passo 2: garanta que cada página tem um endereço só
Nas nossas análises, 14 dos 53 sites tinham canonical ausente ou apontando para outro endereço, e 12 não unificavam direito as versões com e sem www. O Google precisa saber qual é o endereço oficial de cada página. Quando o site responde em várias versões, ele escolhe uma sozinho, e nem sempre a que você queria.
- HTTPS. Todo endereço
http://deve redirecionar com 301 para a versãohttps://. O Google prefere a versão HTTPS como oficial, exceto quando há conflito, como certificado inválido. - Com ou sem www. Escolha uma versão e redirecione a outra com 301. Abra as duas no navegador: as duas devem terminar no mesmo endereço.
- Canonical. Cada página deve ter um
<link rel="canonical">apontando para ela mesma. O sinal de alerta é o canonical de todas as páginas apontando para a página inicial ou para o ambiente de testes, porque aí o Google entende que elas são cópias. - Links quebrados e páginas com erro. Links internos que levam a erro 404 ou 500 cortam o caminho do visitante e do robô. Em site com muitas páginas, um rastreador percorre tudo por você: o Screaming Frog, por exemplo, lê até 500 endereços na versão gratuita.
- Página inexistente respondendo 200. Digite um endereço inventado do seu site. Se aparecer a página "não encontrada", mas com código 200, o Google chama isso de soft 404: a página diz que não existe e o servidor diz que existe.
- Celular. O Google indexa pela versão de celular. A ferramenta Teste de compatibilidade com dispositivos móveis, que muitos guias ainda recomendam, foi aposentada em dezembro de 2023. Hoje o caminho é o Lighthouse, no Chrome, ou o PageSpeed Insights.
Um aviso do que não é problema. No dia em que o Nota do Site foi ao ar, o Henrique buscou site:notadosite.com.br e o Google mostrava o endereço sem www, mesmo com o 301 para a versão com www, o canonical e o sitemap certos. O Google tinha guardado a versão de antes do redirecionamento e só troca quando volta a rastrear a página. Se a configuração está certa, espere. Pela documentação do Google, o redirecionamento e o canonical são sinais fortes, e o sitemap é um sinal fraco: os três juntos resolvem, só não na hora.
Passo 3: revise o conteúdo de cada página importante
Com o acesso resolvido, a pergunta muda: cada página diz claramente do que trata? A verificação de meta tags mostra título, descrição e Open Graph de uma página em segundos.
- Título (
<title>). Um por página, único e descrevendo o assunto. O validador usa a faixa de 30 a 60 caracteres porque o Google corta o título que não cabe no resultado, mas o próprio Google diz que não há limite de tamanho. Problema de verdade é página sem título, título repetido em dezenas de páginas ou duas tags<title>no mesmo código. - Meta description. O Google monta o trecho do resultado a partir do conteúdo da página e só usa a sua descrição quando ela descreve melhor. Mesmo assim, página sem descrição deixa a escolha toda com ele.
- H1 e subtítulos. Um H1 dizendo o assunto. A ordem dos subtítulos ajuda leitores de tela, mas o Google diz que, para a busca, pular de H2 para H4 não importa. É detalhe.
- Resposta no começo. Quem chega por uma pergunta quer a resposta no primeiro parágrafo. É também o formato que o buscador consegue recortar e mostrar como resposta, no trecho em destaque ou num resumo de IA.
- Conteúdo raso. O Google afirma que não existe número mínimo de palavras. A página rasa é a que não responde ao que a pessoa buscou, tenha ela 100 ou 1.000 palavras.
- Texto alternativo das imagens. Descreva o que a imagem mostra. Imagem decorativa leva
alt="".
Dois falsos problemas que aparecem em relatório de ferramenta: a meta tag keywords, que o Google diz não usar, e o medo de "punição por conteúdo duplicado". Pela documentação do Google, conteúdo duplicado dentro do site não viola as políticas contra spam. O efeito real é o Google escolher uma das versões para mostrar, e isso se resolve com o passo 2.
Passo 4: confira os dados estruturados
Dados estruturados (Schema.org, quase sempre em JSON-LD) dizem às máquinas quem é a empresa, qual é o produto, quem escreveu o texto. Na auditoria, bastam três perguntas:
- Existe marcação? Pelo menos
Organizationna página inicial, e o tipo certo nas páginas de artigo (Article) e de produto (Product). - O código é válido? Um bloco JSON-LD com erro de sintaxe não pode ser lido, e tudo o que está nele se perde. Teste no verificador de dados estruturados ou no Teste de pesquisa aprimorada, do Google.
- A marcação bate com o que está visível? Se o schema fala de algo que não aparece para o visitante, ele vai contra as diretrizes do Google.
Faltar uma propriedade recomendada é detalhe. E marcação certa não é garantia de nada: o Google afirma que dados estruturados permitem o resultado enriquecido, mas não garantem que ele apareça.
Passo 5: meça a velocidade
Aqui a auditoria só precisa responder a uma pergunta: a lentidão vem do servidor ou da página? Se o tempo até o primeiro byte passa de 0,8 segundo, é o servidor. Se não, é peso de imagem e de script. O caminho completo, com o que corrigir em cada caso, está no nosso guia sobre o que deixa um site lento. Nas mesmas análises de sites brasileiros, o servidor quase nunca era o culpado.
Passo 6: confira se as IAs conseguem ler o site
Nenhum dos dez guias de auditoria que lemos para preparar este texto traz este passo. E é onde sites bem cuidados no Google costumam falhar.
- Robôs de busca das IAs liberados. OAI-SearchBot, Claude-SearchBot e PerplexityBot precisam estar livres no robots.txt e no firewall. Veja quais robôs de IA liberar e quais bloquear.
- Texto no HTML. Segundo um levantamento da Vercel, os principais robôs de IA não executam JavaScript. Texto que depende de script para aparecer não existe para eles. Cole o endereço na ferramenta como a IA vê sua página e confira se o texto principal está lá.
- Trecho liberado. Para aparecer nas visões gerais do Google, a página precisa estar indexada e poder ser mostrada com trecho. Um
nosnippettira essa possibilidade.
Conseguir ler é só a entrada. O que faz uma IA escolher o seu texto como fonte está no guia de GEO.
E os links de outros sites?
Para um site de empresa, dois cuidados com os links que vêm de fora resolvem a maior parte, mesmo que muitos guias dediquem vários passos ao assunto. No relatório Links do Search Console, veja quais páginas mais recebem links e confirme que nenhuma delas responde erro: link de fora apontando para página que sumiu é visita perdida, e um redirecionamento 301 para a página nova recupera. E desconfie de ferramenta que manda rejeitar links "tóxicos". A ajuda do Search Console diz que a maior parte dos sites não precisa da ferramenta de rejeição, que serve para quando links artificiais causaram ou podem causar uma ação manual.
Quer rodar o diagnóstico de uma vez?
Os seis passos à mão levam uma tarde. Se você quer o retrato inteiro antes de abrir a planilha, cole o endereço no validador grátis. Ele lê a página inicial e algumas páginas internas como um robô, sem executar JavaScript, passa por 81 regras e marca cada problema com a gravidade. O que ele não vê: os dados do Search Console (indexação real, ações manuais, buscas) e os links de outros sites. Esses continuam sendo conferidos lá.
Quais problemas mais aparecem em sites brasileiros?
Os mais frequentes são falta de resumo no começo da página, dados estruturados incompletos e subtítulos que não conversam com as perguntas do leitor. Os mais graves quase não aparecem. Nas análises que fizemos de 53 sites brasileiros em outubro de 2026, lendo a página inicial e páginas internas de cada um, o retrato foi este. A gravidade é a que o validador atribui a cada regra.
| Problema encontrado | Sites | Gravidade |
|---|---|---|
| Página inicial sem parágrafo de resumo antes do primeiro subtítulo | 31 de 38 em que a regra se aplica (82%) | Média |
Marcação WebSite incompleta |
31 de 53 (58%) | Baixa |
| Nenhuma página lida com subtítulo em forma de pergunta | 30 de 53 (57%) | Média |
Sem Organization nos dados estruturados |
29 de 53 (55%) | Alta |
| Hierarquia de títulos fora de ordem | 24 de 53 (45%) | Baixa |
| Open Graph ausente ou incompleto | 23 de 53 (43%) | Média |
| Título da página inicial ausente, curto, longo ou com duas tags | 22 de 53 (42%) | Alta |
| Sitemap ausente ou com alerta | 19 de 53 (36%) | Média |
| Nenhum dado estruturado | 16 de 53 (30%) | Alta |
| Meta description ausente, curta ou longa | 16 de 53 (30%) | Média |
| Canonical apontando para outro endereço ou ausente | 14 de 53 (26%) | Alta |
| Versões com e sem www (ou http) não unificadas ou com alerta | 12 de 53 (23%) | Média |
| Sem HTTPS correto | 5 de 53 (9%) | Crítica |
noindex na página inicial |
0 de 53 | Crítica |
Duas leituras saem dessa tabela. A primeira: os problemas mais frequentes não são os mais graves. Nenhum dos 53 sites tinha noindex na página inicial, e o topo da lista é ocupado por resumo, schema e subtítulos, que, tirando a falta de Organization, pesam pouco ou médio. A segunda: o título continua sendo problema nas páginas internas. Nas 302 páginas lidas, 74 tinham título curto demais, 49 longo demais, 9 nenhum e 6 vinham com duas tags <title>. Na meta description, 28 não tinham nenhuma. Quando o erro vem do modelo da página, ele se repete em todas as páginas que usam esse modelo.
Como priorizar: crítico, importante e detalhe
Com a lista na mão, divida em três grupos. A regra é simples: primeiro o que tira a página do Google, depois o que confunde o Google, por último o que só melhora a apresentação.
| Grupo | Exemplos | Quando corrigir |
|---|---|---|
| Crítico | noindex ou robots.txt bloqueando páginas importantes, páginas com erro, site sem HTTPS, ação manual, robôs de busca de IA bloqueados, texto que só aparece com JavaScript |
Hoje |
| Importante | Canonical apontando para outro endereço, www não unificado, sem sitemap, título ausente ou repetido, links quebrados, JSON-LD inválido | Nas próximas semanas |
| Detalhe | Título com alguns caracteres a mais, subtítulo pulando nível, Open Graph incompleto, propriedade recomendada faltando no schema | Quando mexer na página |
Dentro de cada grupo, olhe o alcance. Um erro no modelo do site (o cabeçalho, o tema, o plugin de SEO) aparece em todas as páginas e se corrige uma vez só. Esse vem antes do erro isolado numa página.
Com que frequência refazer a auditoria?
Três ritmos funcionam bem para um site de empresa:
- No mesmo dia de qualquer mudança grande: troca de tema, de plataforma, de hospedagem ou de domínio, plugin de SEO novo, migração para HTTPS. É quando o
noindexdo ambiente de testes vai para o ar sem ninguém notar. - Uma vez por mês, 15 minutos no Search Console: relatório de indexação, ações manuais, Core Web Vitals e as buscas que trazem visitas.
- A cada três meses, o checklist completo, começando pelas páginas que importam.
Fora do calendário, refaça quando o tráfego orgânico cair de repente. Antes de mexer no site, compare a data da queda com o painel de status da Pesquisa Google, que registra as atualizações de ranking.
Depois de corrigir, não espere efeito no dia seguinte. O próprio Google diz que algumas mudanças aparecem em horas e outras levam meses. Anote na planilha a data de cada correção para saber, lá na frente, o que funcionou.