H1, H2 e H3 são as marcações do HTML para os títulos de uma página. O H1 diz do que a página trata, os H2 abrem as partes principais e os H3 dividem cada parte em pedaços menores. Quem visita vê só letras maiores ou menores. Quem lê o código, como o Google, um leitor de tela ou o robô de uma IA, enxerga uma estrutura. Este guia mostra o que cada nível faz, o que as fontes oficiais dizem sobre mais de um H1 e sobre pular nível, e os erros que mais aparecem em sites brasileiros, a começar pelo H1 que é só o logo.
O que é cada nível, do H1 ao H6?
São seis níveis, e o número indica a posição na hierarquia, não o tamanho da letra. O H1 é o título da página inteira. O H2 abre cada parte principal. O H3 divide uma parte, e assim por diante até o H6, que quase nenhuma página precisa.
Pense na página de uma escola de idiomas de Belo Horizonte. Sem o texto, só com os títulos, ela deveria ficar assim:
<h1>Curso de inglês para adultos em Belo Horizonte</h1>
<h2>Como funcionam as aulas?</h2>
<h3>Turmas presenciais na Savassi</h3>
<h3>Aulas online ao vivo</h3>
<h2>Quanto custa o curso?</h2>
<h2>Como é o teste de nivelamento?</h2>
<h2>Fale com a secretaria</h2>
Lida em sequência, a lista já funciona como sumário. Esse é o teste mais simples de uma boa hierarquia: os títulos sozinhos contam do que a página trata.
Dois equívocos aparecem muito. O primeiro é escolher o nível pelo tamanho da fonte, o famoso "põe H4 que fica menorzinho". Tamanho é coisa do CSS e muda sem mexer no nível. O segundo é confundir o H1 com o title. O title fica no <head>, aparece na aba e no resultado da busca, e a especificação do HTML avisa que ele não é um título de seção. Como escrever o title é assunto do guia de title e meta description.
Para quem servem os títulos da página?
Para quatro leitores: quem bate o olho na página procurando um trecho, quem navega com leitor de tela, o Google, que usa os títulos para entender o conteúdo, e as IAs que respondem com pedaços de páginas. Cada um aproveita os títulos de um jeito.
Quem bate o olho na página
Pouca gente lê uma página de cima a baixo na primeira visita. A pessoa desce procurando o pedaço que interessa, e os subtítulos são as placas do caminho. O Guia de SEO para iniciantes do Google pede justamente isso: dividir textos longos em seções e usar cabeçalhos para ajudar os usuários a navegar.
Quem usa leitor de tela
Para quem não enxerga a tela, os títulos são o atalho principal. O leitor de tela pula de título em título com uma tecla, anuncia o nível de cada um e pode montar a lista de todos eles. Na pesquisa da WebAIM com usuários de leitor de tela, feita em julho e agosto de 2026 com 1.780 respostas, 67,8% disseram que, numa página longa, a primeira coisa que fazem para achar uma informação é navegar pelos títulos. E 88,3% consideram os níveis muito ou um pouco úteis.
Por isso o tutorial de acessibilidade do W3C pede para aninhar os títulos pelo nível e evitar saltos. A documentação da MDN explica o efeito: quem navega assim, ao cair num H3 sem H2 antes, fica se perguntando onde foi parar o título que falta.
O Google
O Google usa os títulos para entender a página, com menos rigidez do que as dicas de mercado sugerem. Na documentação sobre links de título, elementos como o <h1> estão entre as fontes que ele consulta para montar o texto azul do resultado, ao lado do title e de outros textos grandes e em destaque. Já no guia para iniciantes, na lista do que não merece preocupação, ele diz que pôr os títulos em ordem semântica é ótimo para leitores de tela, mas que para a Pesquisa Google não importa se essa ordem não for seguida. E acrescenta que não existe um número ideal de títulos por página.
As IAs que recortam trechos
ChatGPT, Perplexity e os resumos de IA do Google respondem com pedaços de páginas. Nenhuma dessas empresas publicou como usa os títulos na hora de escolher o trecho, então desconfie de quem promete efeito garantido. O que dá para dizer é mais simples: um trecho que começa num subtítulo claro e se explica sozinho pode ser recortado sem perder o sentido. É a mesma lógica da escrita fácil de citar que mostramos no guia de GEO.
Mais de um H1 prejudica o SEO?
Não existe punição por ter mais de um H1, mas a página com um H1 só fica mais clara para todo mundo. O que as fontes oficiais dizem:
- Google: além do trecho do guia para iniciantes sobre não haver número ideal de títulos, o canal oficial Google Search Central publicou, em outubro de 2019, um vídeo só sobre essa dúvida, em que John Mueller responde que os sistemas do Google não têm problema com vários H1 na mesma página.
- Especificação do HTML: permite vários títulos de nível 1 no mesmo documento e traz um exemplo com três H1 seguidos.
- MDN, a referência de HTML mantida pela Mozilla: vários H1 são permitidos, mas não são considerados boa prática. Em geral, a página deve ter um único H1 que descreva o conteúdo.
O motivo prático para ficar com um está na documentação do Google sobre links de título. Quando a página tem dois ou mais títulos com o mesmo estilo ou nível e nenhum se destaca, o Google pode usar o primeiro deles no link do resultado. A orientação é deixar o título principal diferente do resto e colocá-lo no primeiro <h1> visível. Se o primeiro H1 do código é o nome da empresa no cabeçalho, é ele que entra na disputa.
Na leitura que fizemos em outubro de 2026, 7 das 53 páginas iniciais de sites .br tinham mais de um H1, entre 2 e 5 cada. O validador trata isso como alerta, não como falha: vale arrumar, mas não é o que derruba uma página.
Como montar a hierarquia sem pular nível?
Desça um nível por vez: depois do H1 vem o H2, dentro de um H2 vem o H3. Para subir, pode voltar direto ao nível que quiser. Um H2 logo depois de um H4 é normal, porque fecha a parte anterior e abre outra.
A especificação atual do HTML escreve essa regra com todas as letras: cada título que vem depois de outro deve ter nível menor, igual ou no máximo um acima do anterior. O exemplo de código fora do padrão que ela mostra é um H1 seguido direto de um H3. A mesma seção diz que, se a página tem títulos, pelo menos um deve ser de nível 1.
Uma ideia antiga ainda confunde quem mexe com HTML. Por anos, a especificação descreveu um "algoritmo de esboço" em que cada <section> podia ter o próprio H1 e o nível sairia do aninhamento. Nenhum navegador implementou esse cálculo, e em julho de 2022 a WHATWG, que mantém o padrão, trocou o algoritmo por outro baseado só no nível de cada título. Hoje o nível vem do nome da tag: um H1 dentro de uma <section> continua sendo H1.
Os saltos que mais aparecem:
- H1 seguido direto de H3, porque o H2 do tema parecia grande demais;
- títulos de cartão ou de depoimento marcados como H4 ou H5 no meio de uma seção de H2;
- um H4 no rodapé logo depois do último H2 do conteúdo.
Naquelas 53 páginas iniciais, 24 tinham salto de nível. Para a Pesquisa Google, segundo o guia citado acima, a ordem não muda nada. Para quem navega por leitor de tela, muda, e o sumário que os títulos deveriam formar fica torto. A correção quase sempre é trocar uma tag no modelo da página, e ela vale para todas as páginas que usam esse modelo.
O que fazer quando o H1 é o logo ou uma imagem?
Tire o logo de dentro do H1 e escreva um H1 em texto, com o assunto da página. Logo dentro de <h1> é um padrão antigo de tema, às vezes só na página inicial, às vezes em todas.
Das 53 páginas iniciais, 15 falharam na regra do H1: 10 não tinham H1 nenhum e 5 tinham um H1 vazio, só com uma imagem ou um ícone dentro. Para o validador, H1 vazio é H1 sem texto visível. O texto alternativo da imagem não conta, porque o que se espera ali é um título que qualquer pessoa leia na tela.
<!-- Antes: o H1 é o logo -->
<h1><a href="/"><img src="/logo.svg" alt="Pet Vida"></a></h1>
<!-- Depois: o logo é só um link, e o H1 diz do que a página trata -->
<a href="/"><img src="/logo.svg" alt="Pet Vida"></a>
...
<h1>Clínica veterinária 24 horas em Curitiba</h1>
Na página inicial, o H1 costuma ser o espaço mais desperdiçado do site. "Bem-vindo" ou o nome da empresa sozinho não contam a quem busca, nem ao Google, o que a empresa faz. Escreva o serviço e, se fizer sentido, a cidade.
Mantenha o alt no logo. Ele vira o nome do link para quem usa leitor de tela, e o Google usa o alt de uma imagem com link como texto âncora, como contamos no texto sobre como ligar as páginas do site entre si.
Por que o tema coloca H2 no rodapé e no menu?
Porque o WordPress faz isso por padrão. A função register_sidebar, que os temas usam para criar as áreas de widget, põe o título de cada widget dentro de um <h2> quando o tema não define outra coisa. Assim, "Links úteis", "Siga a gente" e "Contato" no rodapé viram H2, com o mesmo peso dos capítulos do seu texto.
Construtores de página chegam ao mesmo problema por outro caminho: cada bloco de título tem a tag escolhida numa lista, e o visual não mostra qual é. Isso não quebra a página, mas polui a lista de títulos. Quem pula de título em título pelo leitor de tela passa por "Siga a gente" como se fosse uma seção do conteúdo. E, se o rodapé usa H4 e o último título do texto é um H2, aparece um salto.
Do mais simples ao mais trabalhoso:
- Editor de blocos do WordPress: o bloco de título tem um seletor de nível, de H1 a H6, na barra do bloco. Em widget de rodapé que é só rótulo, troque o título por um parágrafo em negrito.
- Construtor de página: abra cada bloco de título do cabeçalho e do rodapé e confira a tag HTML. Rótulo de rodapé pode ser
poudiv. - Tema próprio ou tema filho: mude o
before_titlee oafter_titlenoregister_sidebar. - Moldura marcada: ponha o menu em
<nav>, o rodapé em<footer>e o conteúdo em<main>, para que leitores de tela e extratores separem o texto da moldura. Nessa marcação, a de HTML semântico, 6 das 53 páginas iniciais falharam e 19 receberam alerta.
Quando o subtítulo deve ser uma pergunta?
Quando o leitor faz aquela pergunta. Subtítulo em forma de pergunta funciona porque repete as palavras de quem busca ("Quanto custa o curso?", "Precisa de fiador?") e avisa que a resposta vem logo abaixo. Forçado, vira o contrário: ninguém pesquisa "Por que somos a melhor escola da cidade?".
O teste é rápido. Você já ouviu essa pergunta de um cliente, no WhatsApp, no balcão ou no bloco "As pessoas também perguntam"? Então use como subtítulo. Se o trecho é uma lista de serviços ou um formulário, um rótulo direto, como "Fale com a secretaria", funciona melhor.
Entre os 53 sites, 30 não usavam subtítulo em forma de pergunta em nenhuma das páginas lidas, e em outros 5 eram poucos. A regra do validador passa quando pelo menos 3 em cada 10 páginas lidas trazem pergunta em algum H2, H3 ou H4. A pergunta só rende se a resposta vier na primeira frase depois dela, e o formato dessa resposta está no guia sobre como chegar ao trecho em destaque.
Como conferir os títulos de uma página?
Liste os títulos na ordem em que aparecem e leia a lista como um sumário. Dá para fazer isso pelo código-fonte, pelo console do navegador ou pelo validador, do mais rápido ao mais completo:
- Código-fonte. Abra a página, aperte Ctrl+U e procure
<h1com Ctrl+F. Se aparecer mais de um, ou nenhum, você já tem o diagnóstico do H1. Em site montado por JavaScript, o código-fonte pode vir quase vazio; nesse caso, veja também como a IA vê sua página. - Console do navegador. Aperte F12, abra a aba Console, cole a linha abaixo e tecle Enter. Ela lista os títulos na ordem em que aparecem, recuados pelo nível:
document.querySelectorAll('h1,h2,h3,h4,h5,h6').forEach(h => console.log(' '.repeat((h.tagName[1] - 1) * 2) + h.tagName + ' ' + h.innerText.trim()))
- Validador. A análise gratuita do Nota do Site lê a página inicial e páginas internas e confere duas regras: a do H1, que falha sem H1 ou com H1 vazio e dá alerta com mais de um, e a da hierarquia, que lista até dez saltos com o texto do título onde cada um acontece.
Rodamos a linha do console no nosso post sobre linkagem interna. Saíram um H1, 16 H2 e 5 H3. Os H3 são as perguntas da FAQ, todas dentro do H2 "Perguntas frequentes". O sumário, as fontes e o "Leia também" que o modelo do blog põe em todo post também são H2. Foi uma escolha: são partes da página que o leitor procura, e não rótulos de moldura.
Qual título corrigir primeiro?
Abra a sua página inicial, rode a linha do console e leia só os títulos. Se o primeiro H1 é o logo, se não há H1 ou se a lista não diz do que a página trata, comece por aí: um H1 em texto com o serviço e a cidade resolve a falha mais grave.
Depois, corrija no modelo os títulos de rodapé que viraram H2 e os saltos de nível, porque a correção vale para todas as páginas de uma vez. Para ver o resto do site com as mesmas regras, rode a análise completa.