Tráfego de IA é a visita que chega ao site por um link dentro da resposta de um assistente, como ChatGPT, Perplexity, Gemini ou Copilot. O GA4 mostra essas visitas, desde que você saiba onde procurar e o que ele deixa de fora. Este guia segue o GA4 como ele está em outubro de 2026: o canal que o Google criou para assistentes de IA, o filtro por origem, a exploração que mostra as páginas que recebem essas visitas e um grupo de canais com a regex explicada trecho por trecho. No fim, mostramos por que o número que aparece é sempre menor que o real e como completar a conta com o Search Console e o Bing Webmaster Tools.
O GA4 já separa as visitas que vêm das IAs?
Separa, em parte. Em 13 de maio de 2026, o Google anunciou nas novidades do Analytics um canal padrão chamado Assistente de IA (AI Assistant, na interface em inglês). Pela Ajuda oficial, que conferimos em 23 de outubro de 2026, a regra do canal tem duas partes:
- a visita entra no canal quando a mídia é exatamente
ai-assistant; - o próprio GA4 atribui essa mídia, e a campanha
(ai-assistant), quando o referenciador da visita está numa lista de assistentes de IA.
A versão em português da Ajuda traduziu o valor da mídia para "assistente de IA"; a página em inglês e o anúncio trazem ai-assistant. O que a Ajuda não resolve:
- A lista não é pública. A descrição do canal cita ChatGPT, Gemini, Deepseek, Copilot e Grok como exemplos, e o anúncio de maio fala em ChatGPT, Gemini e Claude. O Perplexity não aparece em nenhum dos dois.
- Tudo depende do referenciador. Visita que chega sem ele não tem o que comparar com a lista.
- As respostas de IA do Google ficam fora. O canal exclui as Visões gerais criadas por IA e o Modo IA.
- O passado é incerto. O anúncio não diz se as visitas de antes de maio foram reclassificadas.
Guia dizendo que o GA4 não separa tráfego de IA foi escrito antes de maio de 2026. Guia dizendo que ele reconhece qualquer IA vai além do que o Google publicou.
Passo 1: filtre a origem no relatório de aquisição
Abra Relatórios > Aquisição > Aquisição de tráfego. A tabela vem agrupada por canal. Clique na seta ao lado de "Grupo de canais padrão da sessão", troque a dimensão por "Origem/mídia da sessão" e digite chatgpt na caixa de busca da tabela.
Filtre pela origem, e não pelo canal. A mesma origem pode vir acompanhada de mídias diferentes, conforme a visita chegou: chatgpt.com / ai-assistant, chatgpt.com / referral e, em relatos de outros analistas, chatgpt.com / (not set). Some todas as linhas. Olhando só o canal, você veria apenas a parte que o GA4 reconheceu.
O chatgpt.com não depende só do referenciador. Na FAQ para publishers e desenvolvedores (consultamos a versão de 4 de outubro de 2026, guardada no Internet Archive), a OpenAI diz que o ChatGPT acrescenta utm_source=chatgpt.com aos links que manda para os sites e que, para quem libera o OAI-SearchBot, isso permite acompanhar esse tráfego em ferramentas como o Google Analytics. O GA4 lê o parâmetro como a origem da sessão. Por isso o robô de busca da OpenAI vem antes de qualquer relatório: bloqueado, ele tira o site das respostas, e sem citação na resposta do ChatGPT não existe clique para medir.
Repita a busca na tabela com perplexity, claude, gemini e copilot. Para não refazer isso toda semana, os dois próximos passos guardam o filtro.
Passo 2: descubra em quais páginas a IA entrega visitas
A exploração livre cruza as duas informações que importam: de qual IA a pessoa veio e em qual página ela entrou.
- No menu da esquerda, clique em Explorar e abra uma Exploração livre.
- Em Dimensões, importe "Origem da sessão" e "Página de destino + string de consulta".
- Em Métricas, importe "Sessões", "Sessões engajadas" e "Eventos principais".
- Coloque as duas dimensões em Linhas, com a origem primeiro, e as três métricas em Valores.
- Em Filtros, escolha "Origem da sessão", a condição "corresponde à regex" e cole a expressão do passo 3.
As páginas que aparecem nessa tabela são as que alguma IA citou com link e que alguém clicou. A coluna de página com a string de consulta ainda mostra o ?utm_source=chatgpt.com no fim do endereço, prova de que a marcação chegou. Repare em duas coisas. Se quase tudo entra pela página inicial, as respostas estão citando a marca mais do que um conteúdo seu. E as sessões engajadas separam quem leu de quem fechou a aba em seguida; os eventos principais mostram se a visita virou contato ou venda.
Passo 3: crie um grupo de canais com todas as IAs
O grupo de canais personalizado põe todas as IAs numa linha só, em qualquer relatório, e vale também para os dados antigos: a Ajuda diz que ele pode ser usado de forma retroativa. Uma propriedade comum do GA4 aceita 2 grupos personalizados, com até 50 canais cada.
- Vá em Administrador > Exibição de dados > Grupos de canais. É preciso ter função de editor na propriedade.
- Clique em Criar novo grupo de canais. O GA4 começa por uma cópia do grupo padrão.
- Dê um nome ao grupo, como "Canais com IA".
- Clique em Adicionar novo canal, chame o canal de "IAs" e, em + Adicionar grupo de condições, escolha a dimensão Origem, a condição "corresponde à regex" e cole a expressão abaixo.
- Clique em Salvar canal, depois em Reordenar, e arraste "IAs" para cima de "Referência". O GA4 põe cada visita no primeiro canal que corresponde, de cima para baixo; abaixo de Referência, o seu canal perde tudo o que chegou com mídia referral. Se quiser juntar também o que o canal Assistente de IA já reconhece, deixe "IAs" acima dele.
- Clique em Aplicar e em Salvar grupo.
A expressão:
.*(chatgpt|openai|perplexity|claude|gemini|copilot|deepseek|grok).*
O que cada trecho faz:
| Trecho | Função |
|---|---|
.* no começo |
Aceita qualquer coisa antes do nome. O GA4 usa correspondência completa por padrão: sem isso, só valeria uma origem idêntica à palavra |
( e ) |
Agrupam os nomes. Cada barra vertical entre eles quer dizer "ou" |
chatgpt |
Pega chatgpt.com, o valor que a OpenAI documenta no utm_source, e qualquer outra origem com esse nome |
openai |
Qualquer origem com o nome da OpenAI |
perplexity |
Perplexity |
claude |
Claude, da Anthropic |
gemini |
Gemini, do Google |
copilot |
Copilot, da Microsoft |
deepseek e grok |
Dois assistentes que a própria Ajuda cita como exemplo do canal padrão |
.* no fim |
Aceita o que vier depois do nome: .com, .ai, subdomínio |
Maiúsculas não fazem diferença: segundo a Ajuda, as definições de canal não diferenciam maiúsculas de minúsculas.
A Ajuda do Google traz outra regex de exemplo para esse canal, que começa com ^.*ai. Em 23 de outubro de 2026, testamos as duas numa lista de 16 origens, com a mesma correspondência completa do GA4. A do exemplo aceitou qualquer origem terminada em "ai", inclusive dois sites de ferramentas com domínio .ai que nem são assistentes, e deixou de fora nomes com grok e deepseek, que a própria descrição do canal padrão cita. A nossa não pega esses domínios .ai, mas tem o defeito oposto: um site chamado Gemini Turismo entraria no canal. Depois de salvar, confira no relatório a lista de origens que caíram em "IAs".
Por que parte das visitas do ChatGPT cai em Direto?
Porque o GA4 só descobre a origem quando ela vem no link, pelo utm, ou no referenciador. Sem nenhum dos dois, a Ajuda classifica a visita como (direct) / (none), o mesmo lugar de quem digita o endereço ou clica num link dentro de um PDF. Um link copiado da resposta e colado no navegador, por exemplo, chega assim.
Outubro de 2026 mostrou o tamanho disso. Segundo o Search Engine Roundtable, Cedric Huesler, da Adobe, percebeu que, depois do lançamento do GPT-6, os links das respostas passaram a abrir sem referenciador e sem o utm_source. Em cerca de 500 páginas, comparando 9 a 13 de outubro com a semana anterior, o ChatGPT perdeu perto de 31 mil visitas por dia e o Direto ganhou 26 mil nas mesmas páginas. Em 15 de outubro, ele atualizou o relato: era um erro, e a marcação tinha voltado. A reportagem não traz posição da OpenAI.
A lição serve para qualquer queda: quando o ChatGPT cai e o Direto sobe nas mesmas páginas de destino, as visitas perderam o rótulo, e não sumiram. Anote a data da mudança e compare as duas linhas página a página na exploração do passo 2.
Por que o número do GA4 é um piso, e não o total?
Porque o GA4 só conta quem permitiu ser contado. No Nota do Site, o Google Analytics só carrega depois que a pessoa aceita os cookies. Quem recusa, ou simplesmente ignora o aviso, navega pelo site sem aparecer em relatório nenhum. É o mesmo efeito do que o Google chama de modo de consentimento básico: as tags ficam bloqueadas até a escolha e, se a pessoa não consente, nenhum dado vai para o Google, nem o próprio status do consentimento.
Para qualquer site com aviso de cookies, isso muda a leitura:
- O número de visitas de IA é um piso. Ele conta quem veio da IA e aceitou. Quantos recusaram, não dá para saber, porque a recusa não deixa rastro no GA4.
- Compare tendência, não total. Se a taxa de aceite do seu aviso não mudou, uma alta nas visitas de IA de um mês para o outro tende a ser real, mesmo que o número absoluto esteja abaixo do verdadeiro.
- Aceitar tarde também apaga a origem. Se a pessoa chega pelo ChatGPT, navega e só aceita na segunda página, o GA4 começa a contar ali. O endereço já não tem o
utm_source=chatgpt.com, e o referenciador passou a ser o seu próprio site. - A estimativa do modo avançado tem requisitos. No modo avançado, as tags carregam com o consentimento negado e mandam medições sem cookies, e o GA4 pode estimar o comportamento de quem recusou. Para isso, a Ajuda pede o modo avançado em todas as páginas, pelo menos 1.000 eventos por dia com
analytics_storagenegado durante 7 dias e pelo menos 1.000 usuários por dia com consentimento em 7 dos últimos 28 dias. Um site pequeno pode não chegar lá, e aí a estimativa não aparece.
O Nota do Site entrou no ar em 22 de outubro de 2026 e ainda não tem histórico de visitas de IA para mostrar aqui. Quando tiver, o número que a gente publicar vai ser o de quem aceitou os cookies, e vamos dizer isso junto.
O que o GA4 não consegue ver?
- A citação sem clique. Quando a resposta resolve a dúvida e a pessoa não clica, nada chega ao site. É a mesma perda de clique que aparece nos dados sobre o futuro do SEO com a IA.
- A página lida dentro do app. Quando alguém pede ao ChatGPT para abrir um link, quem baixa a página é o agente ChatGPT-User, segundo a documentação da OpenAI, e a pessoa lê o resumo na conversa. O GA4 exclui automaticamente o tráfego de robôs conhecidos, então essas leituras só aparecem nos registros do servidor.
- As respostas de IA do Google. Como o canal Assistente de IA exclui as Visões gerais criadas por IA e o Modo IA, esses cliques ficam junto com o resto do tráfego do Google.
- A visita que vem depois. Quem lê o nome da sua empresa numa resposta e dias depois busca no Google ou digita o endereço aparece como busca orgânica ou Direto.
Como cruzar o GA4 com o Search Console e o Bing?
Cada ferramenta enxerga um pedaço, e a conta fecha quando você coloca as três lado a lado, página por página.
| Pergunta | Onde ver |
|---|---|
| Quantas visitas vieram de cada IA | GA4, origem da sessão ou o grupo de canais do passo 3 |
| Em que página essas visitas entraram | GA4, exploração do passo 2 |
| Cliques vindos das respostas de IA do Google | Search Console, relatório de desempenho, misturados ao resto no tipo "Web" |
| Quantas vezes o site foi citado no Copilot e no Bing | Bing Webmaster Tools, relatório AI Performance |
| Se o robô da IA consegue ler a página | Registros do servidor e a análise do Nota do Site |
No Search Console, os cliques vindos dos recursos de IA da busca continuam somados ao tráfego geral. As impressões têm relatório próprio desde 31 de agosto de 2026, o de performance da IA generativa. Leve para lá as páginas de destino da exploração do passo 2 e veja quantas vezes cada uma apareceu nesses recursos e quantos cliques recebeu no Google.
O Bing Webmaster Tools ganhou em fevereiro de 2026, ainda em versão prévia, o relatório AI Performance. Ele conta citações, e não visitas: quantas vezes o seu site serviu de fonte para as respostas do Copilot e do Bing (e de parceiros que o anúncio não nomeia), quais endereços apareceram e uma amostra das buscas que a IA fez para chegar até eles. Cruze com o GA4. Endereço que aparece muito lá e quase nunca recebe visita de copilot aqui sugere uma resposta que resolve a dúvida sem clique. Para cadastrar o site e ver o que mais cada painel oferece, use o nosso guia de ferramentas de SEO gratuitas.
Qual rotina seguir para acompanhar as visitas das IAs?
Hoje, abra a Aquisição de tráfego, busque chatgpt na origem e anote o número e as mídias ao lado. Nesta semana, crie o grupo de canais com a regex e confira as origens que caíram nele. Uma vez por mês, rode a exploração por página de destino e compare com o Search Console e o Bing. Se nenhuma visita de IA aparecer, antes de desconfiar do GA4 confira se os robôs de busca das IAs estão liberados no robots.txt e passe o site pelo validador gratuito, que mostra se algum robô de IA está barrado no arquivo ou no servidor.