Um site feito no Lovable, no Bolt ou no v0 pode aparecer no Google como qualquer outro. Quando ele some da busca, a causa costuma estar em um de dois lugares. Ou o robô baixa a página e não encontra texto, porque o conteúdo só é montado pelo JavaScript dentro do navegador, ou o site ainda não foi liberado e apresentado ao Google. O primeiro caso é o que separa esses sites dos demais e é o assunto deste guia. O segundo é igual ao de qualquer site novo e entra como primeiro passo da lista de soluções.
Por que um site feito com IA pode chegar vazio ao robô?
Porque muitas dessas ferramentas geram um aplicativo em React que se monta no navegador. No modelo que o Lovable usou até maio de 2026, o servidor entrega um arquivo quase em branco: o título da aba, a descrição, um contêiner vazio (<div id="root"></div>) e o endereço de um arquivo grande de JavaScript. O navegador baixa esse arquivo, executa e só então desenha os títulos, os textos e os botões.
Quem abre o site no Chrome vê tudo pronto. Um programa que só baixa o arquivo e lê o que veio nele encontra a caixa fechada, sem a estante montada.
O Google lida com isso em três fases: rastreamento, renderização e indexação. Toda página que responde com código 200 entra numa fila de renderização, e a documentação do Google diz que ela pode esperar ali "por alguns segundos ou mais". Depois, um Chromium sem tela executa o JavaScript e o Google lê o resultado. Ou seja, ele consegue ler um site montado no navegador, só que com uma etapa a mais, que pode atrasar e pode falhar se algum arquivo estiver bloqueado.
Mesmo assim, o próprio Google afirma que renderizar no servidor ou pré-renderizar "ainda é uma ótima ideia", porque deixa o site mais rápido e porque nem todos os robôs executam JavaScript.
Tem um segundo efeito, menos óbvio: os links. O Google só descobre páginas ligadas por elementos <a> com href. Menu feito com botão que troca de tela por clique funciona para quem navega, mas não mostra ao robô que as outras páginas existem. Peça à ferramenta que use links de verdade e confira as dicas de como ligar as páginas do site entre si.
Qual é a situação do seu projeto no Lovable?
O Lovable mudou o jeito de entregar as páginas em 2026, e a resposta depende de quando o projeto nasceu e de onde ele está hospedado. Segundo a documentação oficial, conferida em 23 de outubro de 2026:
| Seu caso | O que o robô recebe | O que fazer |
|---|---|---|
| Projeto criado a partir de 13 de maio de 2026 (22 de junho no plano Enterprise), hospedado no Lovable | HTML completo em toda visita, porque o projeto usa TanStack Start com renderização no servidor | A renderização está resolvida. Procure a causa na publicação e na indexação |
| Projeto anterior, em React + Vite, hospedado no Lovable | O visitante recebe a casca vazia. Robôs verificados recebem uma cópia pré-renderizada na hora do pedido | Confira na Inspeção de URL. Atualizar para TanStack Start é opcional |
| Projeto anterior exportado para outra hospedagem | Só os arquivos estáticos. A pré-renderização é um serviço da hospedagem do Lovable e não vai junto com o código | Pré-renderize ou migre para renderização no servidor |
| Projeto novo exportado | Depende de a hospedagem rodar a parte de servidor do TanStack Start. Se ela só servir arquivos estáticos, a renderização no servidor se perde | Escolha uma hospedagem que execute o servidor |
A lista de robôs verificados, pela documentação, inclui buscadores como Google e Bing, os robôs de busca de IA do ChatGPT, do Perplexity, do Claude e do Gemini, os robôs de prévia de redes sociais e ferramentas de SEO verificadas. O Lovable avisa também que, na pilha antiga, conteúdo que carrega tarde pode ficar de fora da cópia.
Três avisos da mesma documentação explicam boa parte dos sites que não aparecem, seja qual for a pilha:
- só aparecem na busca os apps publicados como públicos. Projeto não publicado, com acesso restrito ou no endereço de workspace com a marca da empresa nunca entra;
- o Lovable cria um robots.txt em todo projeto novo, mas nem sempre cria o sitemap;
- os títulos e as descrições iniciais são genéricos, iguais em todas as páginas até você mudar.
Como conferir em 1 minuto se o robô recebe o texto?
Faça três testes, nesta ordem. Os dois primeiros mostram o que chega a qualquer programa que não executa JavaScript. O terceiro mostra o que chegou ao Google.
- Código-fonte. No Chrome, digite
view-source:antes do endereço da página e procure (Ctrl+F) uma frase do meio do texto. Se a frase não está lá e o<body>só tem um<div id="root"></div>seguido de um script em/assets/index-...js, a página é montada no navegador. - Nossa ferramenta. Cole o endereço em Como a IA vê sua página. Ela lê o HTML sem rodar scripts, conta as palavras e mostra o texto que sobrou, que é o que um robô sem JavaScript tem para ler.
- Inspeção de URL. No Search Console, cole o endereço, clique em Testar URL publicado e abra Ver página testada. A captura de tela e o HTML mostram como a ferramenta do Google processou a página.
Um detalhe evita confusão. Num projeto antigo hospedado no Lovable, os testes 1 e 2 vão mostrar a página vazia, e o 3 pode mostrar tudo certo. Não é erro de nenhum deles: o Lovable só entrega a cópia pronta aos robôs da lista, e nem o seu navegador nem o Nota do Site estão nela. A documentação do Lovable avisa que verificadores de SEO de terceiros podem acusar páginas vazias por esse motivo. Para o Google, vale o teste 3. O vazio dos testes 1 e 2 continua sendo o que recebe qualquer leitor automático fora da lista.
O que achamos ao testar 10 sites feitos com Lovable?
Em 23 de outubro de 2026, baixamos o HTML da página inicial de 10 sites públicos feitos com Lovable, tirados da galeria oficial de modelos da plataforma: os 8 que têm "website" no endereço e os 2 primeiros blogs em ordem alfabética. Foi uma requisição por site, sem executar JavaScript, com um user-agent que identifica o Nota do Site. Contamos as palavras visíveis do <body> com a mesma regra do validador, que descarta scripts, estilos e ícones.
O resultado foi igual nos 10:
- todos estavam na pilha antiga, React + Vite;
- o corpo trazia o contêiner vazio e um único texto, o selo "Edit with" do próprio Lovable, com 2 palavras;
- o título da aba e a descrição vinham no cabeçalho, mas nenhum título, parágrafo ou link do conteúdo.
O teste não prova que o Google vê esses sites vazios: pela documentação, ele recebe a cópia pré-renderizada. O que ele mostra é que a pilha antiga continua no ar até na vitrine da plataforma, e que qualquer leitor fora da lista de verificados recebe só a casca. Isso inclui verificadores de SEO, ferramentas que montam a prévia de um link e robôs de IA menos conhecidos.
O problema não é exclusivo de quem usa ferramenta de IA. Quando o validador leu as páginas iniciais de 53 sites brasileiros, de 20 a 22 de outubro de 2026, 8 entregaram pouco ou nenhum texto a quem lê sem JavaScript. Em 4 delas a causa era a página montada por JavaScript: uma chegou com 0 palavras, e três lojas grandes que montam a vitrine no navegador vieram com 83, 102 e 141 palavras. Nas outras 4, também com 0 palavras, não havia sinal de app JavaScript: o servidor deixou de entregar o texto por outro motivo, como uma tela de verificação ou um script de bloqueio. A regra de conteúdo sem JavaScript do validador reprova abaixo de 50 palavras e dá alerta abaixo de 150.
Por que a diferença pesa mais nas IAs do que no Google?
Porque o Google tem um navegador para montar a página e a maioria dos robôs de IA não tem. Num levantamento publicado em dezembro de 2024, a Vercel e a MERJ analisaram o tráfego de robôs na rede da Vercel e não encontraram execução de JavaScript nos robôs da OpenAI, da Anthropic, da Perplexity, da Meta e da ByteDance. Os robôs da OpenAI e da Anthropic até baixavam arquivos de script (11,5% e 23,8% dos pedidos de cada um), mas não os executavam. A exceção foi o Gemini, que usa a estrutura do Googlebot. A documentação da OpenAI sobre os robôs dela não diz nada sobre JavaScript, nem a favor nem contra.
Na prática, um site que o Google acaba indexando com atraso pode simplesmente não existir para o ChatGPT. O Lovable contorna isso nos sites hospedados nele, entregando a cópia pré-renderizada aos robôs de busca de IA da lista e uma versão em Markdown a quem pedir. Fora dessa hospedagem, ninguém faz esse trabalho por você. Os outros cuidados para ser citado estão no guia de citação no ChatGPT e no guia de GEO.
Como resolver, da saída mais simples à mais trabalhosa?
Comece pelo que não exige programar e só avance se o teste da Inspeção de URL continuar vazio.
1. Acerte a publicação. Publique como público, ligue um domínio próprio, confira se não há noindex no site inteiro, cadastre o domínio no Search Console e envie o sitemap. O guia para aparecer no Google mostra cada passo. Se o Search Console já mostra um status de página fora do índice, veja o que cada status significa.
2. Use o que a própria plataforma oferece.
- Lovable, projeto antigo hospedado nele: a pré-renderização já vem ligada. Se quiser que todo visitante receba a página pronta, peça a atualização para TanStack Start. A documentação diz que a maioria custa de 10 a 35 créditos, que o site publicado só muda quando você publica de novo e que bibliotecas feitas só para o navegador podem quebrar a renderização. Teste as páginas antes de publicar.
- Lovable, projeto novo: a renderização já está resolvida. Rode a revisão de SEO da plataforma e troque o título e a descrição genéricos de cada página. A checagem de meta tags mostra o que ficou no código.
- v0: a Vercel afirma, num texto de maio de 2025, que os sites publicados pelo v0 são renderizados no servidor por padrão, com o HTML completo na resposta. É a palavra do fabricante: confirme no código-fonte.
- Bolt: não achamos na central de ajuda do Bolt, em outubro de 2026, uma página sobre SEO ou renderização. Faça os testes acima no seu projeto antes de concluir qualquer coisa.
3. Pré-renderize. Um serviço de pré-renderização fica na frente do site, reconhece os robôs e entrega a eles uma cópia em HTML já montada. Resolve rápido, mas o Google chama esse arranjo de renderização dinâmica e não o recomenda. Nas palavras da documentação dele:
A renderização dinâmica é uma alternativa provisória, e não uma solução recomendada, porque exige mais recursos e aumenta a complexidade.
Se for por esse caminho, entregue ao robô o mesmo conteúdo que a pessoa vê: versões diferentes podem ser tratadas como cloaking. Para páginas que mudam pouco, uma saída mais simples é gerar o HTML de cada página na hora da publicação, a chamada geração estática.
4. Migre para renderização no servidor. É uma das saídas que o Google aponta como melhores, ao lado da geração estática, e a que mais dá trabalho: o site passa a rodar num framework que monta a página no servidor, como o TanStack Start ou o Next.js. Mantenha os mesmos endereços e, se algum mudar, redirecione o antigo com 301.
Como saber hoje se o seu site chega vazio aos robôs?
Abra a página principal do seu site em Como a IA vê sua página e veja quantas palavras sobram sem JavaScript. Se o número for perto de zero, faça a Inspeção de URL para saber se o Google recebe a cópia pronta e descubra em qual linha da tabela o seu projeto está. Depois rode a análise completa para conferir de uma vez o robots.txt, o sitemap, o noindex e o acesso dos robôs de IA.