SEO, a otimização de sites para buscadores, é o trabalho de fazer uma página ser encontrada, entrar no índice e ser escolhida na hora da busca. A cada mudança grande nos buscadores, aparece a mesma manchete dizendo que ele vai acabar. Desta vez o motivo é concreto: o Google responde perguntas com IA no topo da página, o Modo IA chegou em português em setembro de 2025 e muita gente já pergunta direto ao ChatGPT. Para quem tem site, a pergunta útil não é se o SEO morre, e sim o que continua trazendo resultado. Este texto responde com dados conferidos na fonte e com um teste que fizemos nas próprias páginas que discutem o assunto.
A resposta curta: o SEO continua, o clique encolheu
As IAs de busca não tiram a resposta do nada. Na documentação para donos de sites, o Google diz que os resumos de IA da busca e o Modo IA não têm requisito próprio nem truque especial: valem as mesmas boas práticas de SEO, e só entra como fonte a página que está no índice e pode exibir trecho no resultado. O ChatGPT funciona de um jeito parecido. O robô de busca da OpenAI, o OAI-SearchBot, precisa conseguir abrir a página para ela entrar nas respostas.
A base que coloca uma página no índice é a mesma que a coloca numa resposta de IA. O que perdeu valor foi outra coisa: o clique em perguntas simples, que agora ganham resposta na própria tela.
O que os números dizem (e por que parecem brigar)
| Fonte | O que mediu | Resultado |
|---|---|---|
| Ahrefs, fevereiro de 2026 | Taxa de clique do 1º resultado em 300 mil palavras-chave, metade com AI Overview e metade sem, dezembro de 2023 contra dezembro de 2025 | 58% menos cliques quando aparece AI Overview; na 10ª posição, 19,4% menos |
| Pew Research, julho de 2025 | Navegação real de 900 adultos nos EUA em março de 2025 | Com resumo de IA, o clique em resultado tradicional caiu de 15% para 8% das visitas, e o fim da navegação ali mesmo subiu de 16% para 26% |
| Google, agosto de 2025 | Dados internos da própria busca | Volume total de cliques orgânicos "relativamente estável" em um ano, com um pouco mais de cliques de qualidade |
Os três podem estar certos ao mesmo tempo. Ahrefs e Pew olham para a busca que mostra resumo de IA, e nela menos gente clica. O Google olha para o total e diz que as pessoas passaram a buscar mais, com perguntas mais longas. Se cada busca rende menos cliques e o número de buscas cresce, o total pode ficar parado enquanto o tráfego muda de lugar: sai das respostas rápidas e vai para quem precisa de detalhe.
Vale guardar duas ressalvas. Os estudos da Ahrefs e do Pew mostram correlação, não causa, e medem buscas em inglês. O número do Google vem de dados que só ele vê. Nenhum dos três mede o seu site, e para isso o caminho é o seu Search Console.
O que perde força e o que continua
Juntando os dados, a nossa leitura é esta:
- Perde força o texto feito só para pegar clique em pergunta simples. "O que é", "quanto custa em média", "qual a diferença" escritos de forma genérica: a IA resume isso na tela e o leitor não precisa sair.
- Continua a página que é o próprio destino. Produto, serviço, orçamento, endereço, ferramenta. Quem quer comprar, contratar ou usar algo precisa chegar ao site.
- Ganha valor o que a IA não produz sozinha. Dado próprio, teste feito por você, caso real, opinião assinada por quem entende do assunto. É esse tipo de conteúdo que vira fonte citada.
- A parte técnica passa a contar em dobro. Ela decide se a página entra no índice do Google e também se o robô de cada IA consegue lê-la.
O Modo IA reforça o último ponto. Segundo o Google, ele divide a pergunta em subtópicos e dispara várias buscas ao mesmo tempo para montar a resposta. Uma página que resolve bem uma parte específica da dúvida ganha mais portas de entrada, desde que esteja no índice.
Testamos as 10 páginas que dizem que o SEO não morreu
Em 22 de outubro de 2026, passamos pelo validador as 10 primeiras páginas que encontramos buscando "o SEO vai morrer com a inteligência artificial" e "SEO morreu?". Quase todas são de agências e chegam à mesma conclusão: o SEO não morreu, é preciso se adaptar à IA. Queríamos saber se elas mesmas estão adaptadas. Os nomes ficam de fora.
- A nota geral foi de 67 a 95, com mediana 81. O básico está em ordem: as 10 estão indexáveis, mostram o texto sem depender de JavaScript e liberam os robôs de busca de IA no robots.txt.
- 2 das 10 respondem com erro 403 quando a visita se apresenta como robô de busca de IA, como OAI-SearchBot, PerplexityBot e Claude-SearchBot, e abrem normalmente para um navegador comum. O robots.txt diz "pode entrar" e o firewall diz "não". Uma ressalva: o nosso teste usa o nome do robô, mas não sai dos endereços oficiais da OpenAI ou da Perplexity, e algumas proteções tratam esses casos de forma diferente. Mesmo assim, é um bloqueio invisível para quem confere apenas o arquivo.
- Outras 3 barram só robôs de treinamento, como CCBot e Bytespider. É uma escolha legítima e não tira o site das respostas.
- 2 das 10 ainda abrem a versão http:// sem levar para https://, uma falha de SEO básico.
- O pilar mais fraco foi o de respostas diretas (AEO). Três páginas ficaram abaixo de 60. Em duas delas, das perguntas usadas como subtítulo, no máximo uma era respondida logo abaixo.
- 9 das 10 não têm llms.txt. Aqui não há o que cobrar, porque nenhuma grande empresa de IA confirmou que usa esse arquivo.
Lendo os textos, notamos mais uma coisa. Das nove páginas que conseguimos ler (uma barrou o nosso acesso), quatro ainda chamam os resumos de IA do Google de "SGE", nome da fase de teste no Search Labs: desde maio de 2024 o recurso se chama AI Overviews. Só um texto fala de robôs de IA, e de passagem. Nenhum fala de JavaScript. O debate sobre o futuro do SEO acontece quase todo no campo das ideias, e a parte que decide se a IA consegue ler a página fica de fora.
O que fazer agora
- Confira se o site está no índice e sem bloqueio: noindex esquecido, robots.txt e páginas importantes fora do sitemap. O passo a passo para aparecer no Google cobre cada ponto.
- Libere os robôs de busca das IAs e confira o firewall. O robots.txt é metade do caminho. A outra metade é a proteção contra robôs da CDN ou da hospedagem. Veja quais robôs liberar e quais bloquear.
- Veja a página como um robô de IA vê. A ferramenta Como a IA vê sua página mostra o que sobra quando o JavaScript não roda.
- Responda logo no começo. Resposta no primeiro parágrafo, subtítulos em forma de pergunta e a resposta na frase seguinte.
- Coloque o que só você tem: números próprios, casos, testes e o nome de quem assina. É o que separa a sua página de um resumo.
- Mude a régua das páginas informativas. Nelas, ser citado passa a contar tanto quanto ser clicado. Para entender o que cada formato exige, leia a diferença entre SEO, AEO e GEO.
Como saber se a IA está tirando ou trazendo visitas
- No Search Console: o Google conta o tráfego dos resumos de IA junto com o resto da busca, no relatório de desempenho, tipo "Web". Compare impressões e cliques por página. Impressões estáveis com cliques em queda indicam que a resposta está sendo dada na tela.
- No analytics: acompanhe as visitas que chegam de chatgpt.com, perplexity.ai e gemini.google.com. Elas mostram quais páginas as IAs estão citando com link.
- Na mão: faça todo mês as perguntas do seu público nas IAs, mais de uma vez cada, e anote quando o site aparece como fonte.
- Na base técnica: passe o site pela análise gratuita antes de mexer e de novo depois. Ela dá nota separada para SEO, AEO, GEO, dados estruturados e infraestrutura, e guarda a evolução.
Para ir além do SEO e preparar o site para ser citado, o guia de GEO mostra o caminho completo.