Quando outro site publica o seu texto sem autorização, o pedido de remoção por direitos autorais ao Google é o que tira a cópia da busca. Antes dele vêm dois passos que economizam tempo: guardar as provas e pedir a retirada a quem publicou ou à empresa que hospeda o site. O Google apaga o endereço dos resultados, mas a página segue no ar até o dono ou a hospedagem agir.
Este guia segue essa ordem e trata de cópia feita por terceiros. Páginas repetidas dentro do seu próprio domínio são outro problema, com outra solução: veja as cópias internas que se resolvem com canonical ou 301.
Uma ressalva: o que vem a seguir é o que dizem a Lei 9.610/98 e as páginas oficiais do Google, não um parecer jurídico. Se houver prejuízo em dinheiro, contrato no meio ou ameaça de processo, procure um advogado.
Como descobrir quem copiou o seu texto?
Pesquise trechos do seu texto entre aspas no Google. As aspas pedem a frase exata, e uma sequência de oito palavras ou mais dificilmente sai igual em dois textos escritos por pessoas diferentes. Prefira frases do meio do texto, com algum termo pouco comum. A abertura costuma ser genérica e traz resultados demais.
É o princípio que usamos aqui no blog antes de publicar: um verificador compara o texto novo com as páginas dos 10 primeiros resultados da busca e com os outros posts, à procura de sequências de palavras iguais, e nada vai ao ar com trecho repetido. Para achar quem copiou você, faça a versão manual: três ou quatro frases, cada uma entre aspas, uma busca por vez.
Para não depender da memória:
- Alertas do Google. Cadastre em google.com/alerts uma frase característica de cada texto importante, entre aspas. Quando surgir resultado novo com ela, chega um e-mail.
- Busca por imagem. Foto de produto e infográfico também são copiados, e o Google Lens acha a mesma imagem em outros sites.
- Verificador de plágio, como o Copyscape, quando o número de páginas torna a busca manual inviável.
O que guardar como prova antes de reclamar?
Você precisa mostrar duas coisas: que o texto é seu e que ele estava no ar antes da cópia. Junte tudo antes do primeiro contato, porque quem copiou pode apagar ou mudar a página assim que receber o aviso.
- O endereço exato de cada página copiada e a data em que você a encontrou.
- Uma captura da tela inteira, com o endereço e a data aparecendo.
- Um registro no Internet Archive. Em web.archive.org, a função Save Page Now arquiva a página na hora, com data, num serviço que não pertence a nenhum dos lados. Arquive a cópia e o seu original.
- O histórico do seu lado: a data de publicação na plataforma, o rascunho salvo no editor e, se o texto foi encomendado, o contrato ou a nota de quem escreveu.
Registro não é exigido: o art. 18 da Lei 9.610/98 diz que a proteção independe dele, e o art. 19 o deixa como opção do autor. Se a briga chegar à Justiça, há ainda a ata notarial, prevista no art. 384 do Código de Processo Civil, em que um tabelião atesta o que a página mostrava. Se ela compensa no seu caso, quem diz é o advogado.
Copiou ou só se inspirou? O que diz a Lei 9.610/98
A lei protege o texto, não a ideia. O art. 7º inclui entre as obras protegidas os textos e as fotografias; o art. 8º deixa de fora ideias, métodos, conceitos e informações de uso comum. O concorrente que escreveu sobre o mesmo assunto, com palavras próprias, não reproduziu a sua obra. O parágrafo seu com meia dúzia de palavras trocadas fica bem mais perto disso, e o Google põe a troca por sinônimos entre os exemplos de raspagem abusiva.
Três artigos respondem às dúvidas mais comuns:
- Dar o crédito não autoriza. O art. 29 exige autorização prévia e expressa do autor para a reprodução, parcial ou integral. Um "fonte:" com link no rodapé não substitui a permissão.
- Citar pode, com limite. O art. 46, III, libera a citação de passagens para estudo, crítica ou polêmica, na medida justificada, com o nome do autor e a origem. Um parágrafo seu comentado por outra pessoa é citação; o post inteiro republicado, não.
- Sem o nome do autor, a conta aumenta. Pelo art. 108, quem usa a obra sem indicar o autor responde por danos morais e precisa divulgar a autoria.
Um cuidado antes de reclamar: o art. 22 diz que os direitos pertencem a quem criou a obra. Se um redator contratado ou uma agência escreveu o texto, veja no contrato a quem ficaram os direitos. O Google só aceita pedido assinado pelo titular ou por alguém autorizado por ele.
Indenização e ordem judicial, como a suspensão da divulgação prevista no art. 102, são assunto para advogado. Os passos seguintes costumam resolver antes disso.
Quem procurar primeiro: o dono do site ou a hospedagem?
O dono, por escrito. Muita gente copia sem saber que precisa de permissão, e um e-mail educado, com o link do original, o link da cópia e um prazo de poucos dias, costuma bastar. O contato fica no rodapé, na página de contato ou na política de privacidade. Peça a retirada ou, se a republicação interessar a você, proponha um acordo escrito com as condições.
Sem resposta, vá à hospedagem. Ela pode tirar a página do ar, coisa que o Google não faz. Para descobrir quem hospeda:
- Domínio .br: a consulta Whois do Registro.br mostra o titular e os servidores DNS. O nome dos servidores costuma entregar a hospedagem.
- Outros domínios: uma consulta Whois comum e a pesquisa pelo IP do servidor.
- Site atrás da Cloudflare: o IP que aparece é da Cloudflare, que não hospeda o conteúdo. Pelo formulário de denúncia dela, a reclamação de direitos autorais segue para o responsável pelo site e para a hospedagem, e a hospedagem recebe o IP de origem do conteúdo.
Mande à hospedagem o mesmo pacote: os dois endereços, as provas e a declaração de que você é o autor. As empresas americanas recebem esse pedido pelo canal da DMCA, a lei de direitos autorais dos Estados Unidos.
Como pedir ao Google para tirar a cópia da busca?
Pelo solucionador de problemas jurídicos do Google. Escolha a Pesquisa Google, indique que o caso é de direitos autorais e avance até o formulário. O Google aplica a DMCA a esses pedidos e só age quando eles trazem cinco elementos:
- Um meio de contato: e-mail, endereço ou telefone.
- A descrição clara da obra copiada. O endereço da sua página original ajuda.
- O endereço específico de cada página com a cópia. "O site inteiro" não serve: é uma URL por linha.
- Duas declarações: que você acredita de boa-fé que o uso não foi autorizado e que as informações são verdadeiras, sob pena de perjúrio, sendo você o titular ou alguém autorizado por ele.
- A assinatura, que pode ser o seu nome completo digitado no fim.
Quem pode pedir é o titular dos direitos ou um representante autorizado, como a agência que cuida do site, desde que você a autorize.
Depois do envio:
- Se o pedido for aceito, a página copiada sai dos resultados, e no lugar aparece um aviso com link para a notificação publicada no Lumen, base de pedidos de remoção ligada à Faculdade de Direito de Harvard. O Lumen tira telefone, e-mail e endereço antes de publicar; conte com o resto ficando público. O pedido também pode entrar no Relatório de Transparência do Google.
- O Google tenta avisar o responsável pelo site denunciado.
- A cópia continua existindo. Quem tem o link abre normalmente, e ela segue visível em outros buscadores. O Bing tem formulário próprio de remoção por direitos autorais, mantido pela Microsoft.
Leve a sério o aviso que o próprio Google dá: quem afirma de forma indevida que um conteúdo viola seus direitos responde por danos, custos e honorários de advogado. O formulário não serve contra quem apenas escreveu sobre o mesmo tema.
E se o dono já apagou a cópia, mas o resultado continua aparecendo? Aí o caminho é a ferramenta Atualizar conteúdo, do Google. Qualquer pessoa com Conta do Google pode pedir a atualização de uma página que não é dela e que não existe mais ou mudou bastante. Aprovado o pedido, a página que sumiu deixa de aparecer na busca, e a aprovação vale por 180 dias.
O que acontece se o outro lado mandar uma contranotificação?
O Google encaminha a contranotificação a você e pode devolver a página aos resultados. Ela pode ser enviada pelo responsável pelo site afetado ou por quem forneceu o conteúdo. Pela FAQ de direitos autorais do Google, a página volta, a menos que você prove, em até 10 dias, que entrou com ação judicial contra quem publicou ou com reclamação no Copyright Claims Board, o juizado de direitos autorais dos Estados Unidos.
O Google não decide quem tem razão. A ajuda dele diz que não faz mediação de disputa sobre titularidade e que, se o conflito continuar, cabe às partes resolver no tribunal. Recebeu uma contranotificação? Leve o caso a um advogado logo, porque o prazo é curto.
Por que a cópia aparece acima do original no Google?
Acontece pouco, mas acontece. O Google afirma ter sistemas para pôr o conteúdo original à frente das páginas que só o reproduzem. A página dele sobre problemas de canonização admite que, em raras situações, o algoritmo escolhe como principal o endereço de um site externo que hospeda o seu conteúdo sem permissão. A orientação oficial para esse caso é a deste guia: pedir a remoção à hospedagem e enviar o pedido de direitos autorais.
Para confirmar, abra a sua página na Inspeção de URL e veja qual endereço o Google escolheu como canônico. Se for o da cópia, ele juntou as duas páginas e ficou com a outra. O mapa da Inspeção de URL e dos demais relatórios mostra onde clicar.
Mais dois recursos ajudam:
- Denúncia de spam. As políticas de spam do Google chamam de raspagem copiar conteúdo de outros sites, muitas vezes de forma automática, para manipular a classificação, e citam como exemplo reproduzir o feed de outro site sem acrescentar nada. A denúncia vai pelo formulário de spam do Google, sem dados pessoais: se houver ação manual, o texto pode ser repassado ao dono do site.
- O acúmulo de pedidos aceitos. Quando um site recebe um volume significativo de pedidos válidos de remoção por direitos autorais, o Google pode rebaixar os outros conteúdos dele. Quem vive de copiar perde força com o tempo, e cada pedido seu entra nessa soma.
Se a cópia passa à frente com frequência, examine também o seu site. O original pode estar perdendo por um motivo que não tem nada a ver com quem copiou: página fora do índice, conteúdo que só aparece com JavaScript, uma queda geral. O passo a passo para descobrir por que o tráfego caiu ajuda a separar uma coisa da outra.
Como dificultar a próxima cópia?
Não há como impedir que alguém copie uma página pública. Dá para deixar o original fácil de reconhecer e a cópia menos útil para quem copiou:
- Canonical em todas as páginas, com o endereço completo. Se o robô que copia levar o HTML inteiro, a tag vai junto, e a cópia passa a indicar o seu endereço como o oficial. O Google cita essa marcação entre as formas de reconhecer a página principal quando o conteúdo está em vários lugares. Ela falta em muito site. Num levantamento nosso com 302 páginas de domínios .br, feito no fim de outubro de 2026 em 53 sites, 39 (cerca de 13%) não traziam canonical nenhum, e 2 traziam dois canonicals diferentes, o que leva o Google a desconsiderar ambos.
- Data e autor visíveis no texto. Ajudam a provar a anterioridade e são parte dos sinais que mostram quem escreveu e quando, no E-E-A-T.
- Feed só com o resumo. No WordPress, a tela Configurações > Leitura tem a opção de enviar no feed o texto completo ou só o resumo. Com o resumo, quem republica o feed de forma automática fica só com o começo do post.
- Republicação autorizada com regra escrita. Se um portal vai reproduzir o seu texto, combine por escrito e peça noindex na versão dele, com link para o original. Com parceiros de distribuição, o Google considera o bloqueio da indexação mais eficaz que o canonical.
Bloquear o botão direito do mouse fica fora da lista. Atrapalha quem quer citar você de forma honesta e não segura robô nenhum, que lê o HTML direto.
O que fazer hoje se você acabou de achar uma cópia?
- Arquive a cópia e o seu original no Internet Archive e faça a captura de tela.
- Escreva ao responsável pelo site, com prazo de poucos dias.
- Sem resposta, descubra a hospedagem pelo Whois e mande o mesmo pacote.
- Ao mesmo tempo, envie o pedido de direitos autorais ao Google, com uma linha para cada URL copiada.
- Passe a página original no validador do Nota do Site e veja se o canonical está certo e se o texto já vem no HTML, sem precisar de JavaScript.