O Google Discover é o feed de sugestões que o Google mostra no celular sem que a pessoa digite nada. No app Google e na nova guia do Chrome, aparecem artigos e vídeos ligados aos interesses de quem está rolando a tela. Para quem publica, é uma fonte de visitas que não depende de palavra-chave.
Não existe cadastro nem formulário de inscrição. A página entra na disputa quando está no índice do Google e respeita as políticas do Discover. Daí em diante, a chance de ser escolhida sobe com imagem grande liberada para o Google, título que entrega o que promete e assunto que o site domina de fato.
Onde o Google Discover aparece e como ele difere da busca?
No app Google, no Android e no iPhone, e na nova guia do Chrome no celular. Ele faz parte da Pesquisa Google, mas funciona ao contrário da busca. Na busca, a pessoa pergunta e o Google responde. No Discover, o Google sugere antes de qualquer pergunta, a partir do que a conta guarda em Atividade na Web e de apps. Quem pesquisou receitas de pão de fermentação natural na semana passada pode receber, sem pedir, um texto sobre como alimentar o levain.
O Discover também não se confunde com a resposta de IA que o Google escreve no topo de uma pesquisa: aquela só existe porque alguém digitou uma pergunta, enquanto o Discover chega a quem não pesquisou nada.
Isso tem duas consequências práticas. Não há consulta para mirar, então a pesquisa de palavras-chave ajuda pouco aqui. E o conteúdo não precisa ser notícia do dia: a documentação do Google avisa que textos antigos também podem aparecer, desde que sejam úteis para os interesses de alguém.
Como o Discover escolhe o que mostrar?
Ele cruza os interesses de cada pessoa com o conteúdo que os sistemas da Pesquisa consideram útil e confiável. Segundo o Google, o feed aproveita boa parte dos sinais da busca para separar o que foi feito para ajudar gente do que foi feito para ranquear.
Em fevereiro de 2026, o Google acrescentou um detalhe: a especialização de um site é medida assunto por assunto. No exemplo do próprio anúncio, um jornal local com uma boa editoria de jardinagem pode ser referência em jardinagem, enquanto um site de críticas de cinema que publicou um único texto sobre plantas provavelmente não é. A nossa leitura para um site pequeno: concentre. Dez guias bons sobre o mesmo tema constroem essa especialização; dez textos soltos sobre dez temas, não.
O feed também filtra de propósito. Na lista de exemplos do Google do que o Discover pode deixar de recomendar estão anúncios de vaga, abaixo-assinados, formulários, código hospedado em repositório e sátira sem aviso de que é sátira. Ele ainda aplica o SafeSearch e barra conteúdo chocante. O que ele procura são artigos e vídeos.
O que a página precisa para aparecer no Discover?
Obrigatório, só duas coisas: estar indexada e seguir as políticas de conteúdo. O Google diz que não há tag especial nem dado estruturado exigido, e que estar qualificado não garante exibição. O resto aumenta a chance:
| O que fazer | O que o Google pede | Como conferir |
|---|---|---|
| Estar no índice | Página indexada | Inspeção de URL, no Search Console |
| Respeitar as políticas | As da Pesquisa e as próprias do Discover | Relatório de ações manuais sem nada |
| Usar imagem grande | 1.200 px de largura ou mais, acima de 300 mil pixels, de preferência em 16:9 | Abra o arquivo da imagem e veja as medidas |
| Liberar a prévia grande | max-image-preview:large na meta robots, ou AMP |
Código-fonte da página |
| Indicar a imagem certa | og:image ou imagem nos dados estruturados, sem logotipo nem arte cheia de texto |
Código-fonte ou o leitor de meta tags |
| Título fiel ao texto | Sem isca de clique nem sensacionalismo | Leia o título e depois o texto |
| Boa experiência na página | Página que carrega bem e não engana quem chega | Core Web Vitals, no Search Console |
Pela conta do próprio Google, uma imagem de 1280 × 720 soma 921.600 pixels e passa com folga. O AMP não é exigido: na documentação, ele aparece só como outro jeito de liberar a imagem grande.
Como liberar a imagem grande com max-image-preview:large?
Coloque esta linha no <head> de cada artigo:
<meta name="robots" content="max-image-preview:large">
A regra diz ao Google até que tamanho ele pode exibir a imagem da página. Ela aceita três valores: none, que não mostra imagem nenhuma, standard, o tamanho padrão, e large, uma imagem que pode ocupar a largura da tela. Sem a regra, vale o tamanho padrão. A documentação da meta robots diz que ela se aplica a todos os resultados do Google, Discover incluído, e a página do Discover põe a imagem grande como algo que depende dessa regra ou do AMP.
Se a página já tem uma meta robots, junte tudo na mesma tag, separando por vírgula: content="max-snippet:-1, max-image-preview:large". No WordPress, o Yoast SEO já escreve max-image-preview:large nas páginas públicas, segundo a especificação técnica do plugin. Em outras plataformas, abra o código-fonte (Ctrl+U no navegador) e procure por max-image-preview.
Na mesma tag moram dois riscos. O noindex tira a página do índice e, com isso, do feed. O nosnippet também vale para o Discover: some o texto da prévia, e o Google só mantém uma miniatura estática quando acha que ela ajuda.
Qual imagem o Google usa no cartão do Discover?
A que você indicar na tag og:image ou nos dados estruturados, desde que seja grande e represente a página. A escolha da miniatura é automática e olha várias fontes, mas esses dois campos são a forma de orientar o Google. Ele pede três cuidados: nada de logotipo do site como imagem do artigo, nada de arte com muito texto e nada de proporção extrema, como uma faixa estreita.
Nos dados estruturados há dois caminhos. Num artigo, use a propriedade image do Article ou do BlogPosting, de preferência com três versões, nas proporções 16:9, 4:3 e 1:1, cada uma com pelo menos 50 mil pixels. Em qualquer outra página, a propriedade primaryImageOfPage do WebPage cumpre o papel.
O Google recorta a imagem sozinho para o formato do feed. Se você mesmo recortar, por exemplo transformando uma foto vertical em 16:9, confira se o rosto ou o produto ficou dentro do quadro. A montagem da tag e o teste do cartão estão no guia da imagem que acompanha o link compartilhado; para o Discover, basta saber que a mesma tag serve aos dois.
Como resolvemos isso no nosso blog
No dia 26 de outubro de 2026, revisamos os 37 posts publicados aqui. Todos têm max-image-preview:large na meta robots e uma imagem de compartilhamento de 1200 × 630 em JPG. Essa medida cumpre os 1.200 px de largura e os 300 mil pixels, mas não é 16:9, que daria 1200 × 675. Por isso o BlogPosting de cada post leva também as três versões que o Google sugere para artigos: 1200 × 675, 1200 × 900 e 1200 × 1200, em WebP. A página inicial do site não usa a regra de imagem.
Há ainda uma trava no momento de publicar. Quando um post vai sair sem capa própria, o sistema gera uma capa com o título, e o validador do blog avisa que, nesse caso, o Google fica sem uma imagem do artigo para usar no Discover.
Quantas páginas deixam o Discover sem imagem?
Perto de quatro em cada dez páginas. Para chegar a esse número, separamos o que interessa ao Discover nas 302 páginas que o Nota do Site abriu em 53 sites com domínio .br, ao longo de três dias de outubro de 2026 (do dia 20 ao 22). Entram aí a página inicial e as internas de cada site:
- 123 das 302 páginas (41%) não declaravam
og:image. Dessas, 44 não tinham tag Open Graph nenhuma e 79 tinham as outras tags, mas pararam antes da imagem. - 50 páginas com cara de artigo, espalhadas por 8 sites, não tinham
ArticlenemBlogPosting, o outro lugar em que o Google procura a imagem do texto. - 4 páginas internas, todas do mesmo site, usavam
nosnippet. Nenhuma página inicial usava.
Nessas páginas, a miniatura depende só da escolha automática do Google, que pode não ser a imagem que você queria nem uma imagem grande. Um limite da nossa medição: o validador não lê a max-image-preview. Ele aponta a falta de og:image e o tipo de schema que não combina com a página, mas a regra de imagem da meta robots você confere no código-fonte. Uma análise gratuita no validador mostra as outras duas faltas página por página.
Como escrever o título sem cair em isca de clique?
Prometa só o que o texto entrega. O Google pede três coisas para o Discover: nada de detalhe enganoso ou exagerado na prévia (título, trecho e imagem), nada de esconder a informação que a pessoa precisaria para entender do que se trata e nada de apelar para curiosidade mórbida, choque ou indignação. Nas políticas, isso vira regra: prévia que promete o que a página não tem é conteúdo enganoso.
| Isca de clique | Título fiel ao texto |
|---|---|
| Você não vai acreditar no que o Pix passou a fazer | Pix Automático: como funciona a cobrança recorrente |
| O erro que está quebrando a sua loja virtual | Frete grátis acima de R$ 199: quando a conta fecha |
| Médicos ficaram chocados com este chá | Chá de hibisco emagrece? O que os estudos mostram |
O título da direita ainda desperta curiosidade, só que o texto responde. Vale o mesmo para a imagem: foto dramática sem relação com o assunto também é prévia exagerada. A atualização de fevereiro de 2026 teve como um dos objetivos declarados reduzir sensacionalismo e isca de clique no feed. Para o título que aparece na busca, a regra de tamanho e a estrutura estão no guia para escrever title e descrição de cada página.
Quais políticas de conteúdo valem para o Discover?
As mesmas da Pesquisa Google e mais três próprias. As gerais proíbem, entre outras coisas, conteúdo perigoso, práticas enganosas, assédio, discurso de ódio, mídia manipulada, conteúdo médico que contradiz o consenso, conteúdo sexual explícito e violência gráfica. As do Discover acrescentam:
- Anúncios e conteúdo patrocinado: a página não pode ter mais publicidade do que conteúdo, e o patrocínio precisa estar declarado, inclusive quando há pagamento ou participação afiliada.
- Conteúdo enganoso: a prévia não pode prometer detalhes que não estão na página.
- Transparência: datas e assinaturas claras, informações sobre quem escreve e quem publica, a empresa responsável e um contato.
O último item é onde muito blog de empresa falha sem perceber: post sem autor, sem data e sem página de contato. O guia de E-E-A-T mostra como deixar claro quem responde pelo conteúdo. Quem viola as políticas pode ter o conteúdo retirado do feed e, em casos graves ou repetidos, o site inteiro fica fora do Discover e do "Artigos para você", a versão dele no Chrome. Quando há punição aplicada por um revisor, o aviso chega ao Search Console como ação manual.
Como acompanhar o Discover no Search Console?
No relatório Desempenho > Discover, que só surge no menu depois que o site passa de um número mínimo de impressões no feed. Não há botão para ativar. Se o item não aparece, o site ainda não foi exibido o bastante.
Lá ficam 16 meses de impressões, cliques e CTR, separados por página, país, data e tipo de aparência (artigos AMP, Destaques Jornalísticos, Web Stories e vídeos). Não existe coluna de consultas, porque ninguém pesquisou nada. A visão de 24 horas mostra os dados hora a hora, útil para ver um post subir no dia em que saiu. Uma impressão só conta quando o cartão aparece na tela, e uma vez por sessão.
Três detalhes que pegam muita gente:
- Os números vão para o URL canônico. Se o canonical de um artigo aponta para outra página, os cliques aparecem nela, e a página que o leitor abriu fica com zero.
- O Analytics não separa o Discover. Desde 2021, a visita que vem do Discover no Chrome chega com o mesmo referenciador da busca,
https://www.google.com/. No Analytics, ela se mistura ao tráfego orgânico do Google, e só o Search Console mostra o canal isolado. - As respostas de IA do feed têm um relatório à parte. Aberto a qualquer propriedade no dia 31 de agosto de 2026, ele conta quantas vezes os links do site apareceram nos resumos gerados por IA dentro do Discover, por página, país e data. São só impressões, sem cliques. Site que optou por sair da IA generativa nas Configurações também deixa de aparecer nesses resumos.
Os outros relatórios estão no guia do Search Console, relatório por relatório.
Por que o tráfego do Discover sobe e cai?
Porque o feed acompanha o interesse das pessoas, e interesse muda. O Google dá três motivos: as pessoas deixam de se interessar por um assunto, o Discover ajusta os tipos de conteúdo que mostra e as atualizações da Pesquisa também mexem nele. A documentação admite até mudanças sem relação com a qualidade do site ou com a frequência de publicação, e trata o Discover como complemento da busca, não como base. Um post que recebe mil visitas na segunda-feira e quase nada na quarta está dentro do normal.
A atualização do Discover de fevereiro de 2026
Foi uma atualização principal (core update) dedicada só ao Discover. Começou em 5 de fevereiro de 2026 e terminou em 27 de fevereiro, de acordo com o painel em que o Google registra as atualizações da busca. O anúncio listou três objetivos:
- mostrar mais conteúdo local, de sites sediados no país de quem está lendo;
- reduzir sensacionalismo e isca de clique;
- dar mais espaço a conteúdo aprofundado, original e atual de sites com especialização no assunto.
Ela saiu primeiro para quem usa o Google em inglês nos Estados Unidos, com a promessa de chegar aos outros países e idiomas nos meses seguintes. Até 26 de outubro de 2026, o painel ainda não tinha registro dessa expansão nem de outra atualização do Discover. Quando ela chegar ao Brasil, o primeiro objetivo joga a favor de quem escreve para o leitor brasileiro a partir de um site daqui.
Seu post mais visitado passaria pelo filtro do Discover?
Dá para saber em cinco minutos. Abra esse post no navegador, aperte Ctrl+U e procure três coisas no código: max-image-preview:large, og:image e BlogPosting ou Article. Abra o endereço da imagem e veja se ela chega a 1.200 px de largura. Depois leia o título em voz alta e pergunte se o texto responde ao que ele promete. Se faltar uma das três marcações, a correção vai no modelo de post, e passa a valer para o blog inteiro de uma vez.