Conteúdo evergreen é o texto que responde a uma dúvida que não depende do mês em que a pessoa pesquisa. "Como tirar mancha de vinho do sofá", "o que é CNPJ" e "como escrever o título de uma página" são buscados hoje do mesmo jeito que eram há cinco anos. A palavra é inglesa, quer dizer "sempre verde", e no Brasil ficou assim mesmo.
O problema é que o tema durar não garante que o texto dure. Um post sobre como calcular o 13º salário vai ser procurado todo fim de ano, e as faixas de desconto que entram na conta costumam mudar de um ano para o outro. Este guia mostra como escolher assuntos que se sustentam, o que costuma vencer dentro deles e como atualizar sem cair no truque de mexer só na data.
O que separa conteúdo evergreen de conteúdo com prazo?
A pergunta que a pessoa faz. Se a resposta certa hoje continua certa daqui a três anos, o tema é evergreen. Se ela quer saber o que aconteceu, o que vai acontecer ou o que vale nesta temporada, o conteúdo tem prazo. Não há nada de errado nisso: é só outro tipo de trabalho, com outro ritmo.
| Tipo | Exemplo de busca | Por quanto tempo atrai leitor |
|---|---|---|
| Evergreen | "como tirar mancha de vinho do sofá" | Anos, com pouca manutenção |
| Evergreen com dado que vence | "como calcular a rescisão do contrato" | Anos, se valores e regras forem revistos |
| Sazonal | "decoração de festa junina" | Volta todo ano, no mesmo período |
| Notícia | "resultado da Mega-Sena de ontem" | Alguns dias |
| Tendência | o desafio do momento numa rede social | Semanas, às vezes menos |
A segunda linha é a que mais engana. Passo a passo, explicação de conceito, glossário, checklist e comparação de opções são os formatos que mais duram, desde que o miolo não dependa de um número decidido por outra pessoa.
O Google trata os dois casos de forma diferente, e diz isso por escrito. No guia dos sistemas de classificação, ele conta que tem sistemas feitos para mostrar conteúdo mais recente nas consultas em que isso é esperado, como a de quem procura críticas de um filme que acabou de estrear. Repare no recorte. Não há regra oficial dizendo que o Google prefere página nova para qualquer assunto. Para a mancha de vinho, um texto de 2019 que resolve o problema não tem motivo para perder de um publicado ontem que resolve igual.
Como saber se um tema vai durar?
Antes de escrever, faça três perguntas ao assunto.
- Alguém vai digitar isso daqui a três anos, com as mesmas palavras? Nome de aplicativo, versão de sistema e cargo de político mudam. A necessidade por trás deles ("organizar as contas da empresa", "fazer backup do celular") fica.
- A resposta depende de um valor que alguém de fora decide? Salário mínimo, alíquota, preço de plano, limite de caracteres de uma rede social. Se depende, o tema pode ser evergreen, mas o post entra na agenda de revisão com mês marcado.
- O passo a passo precisa de print da tela de um programa? Telas mudam sem aviso. Quanto mais o texto depende da posição de um botão, mais cedo ele envelhece.
Escolher a busca, comparar termos parecidos e estimar procura é outra etapa, e está no nosso roteiro para achar a palavra-chave certa sem gastar com ferramenta. Aqui o filtro é um só: a dúvida ainda vai existir quando o post fizer aniversário?
O que envelhece num texto que parecia eterno?
Quase sempre os detalhes, raramente a ideia central. Na revisão, procure estes pontos:
- Números. Estatística, preço, prazo, quantidade de usuários. Número sem o ano ao lado é o primeiro a ficar errado e o último a ser notado.
- Nomes que mudaram. Em SEO não faltam casos. O INP substituiu o FID entre as métricas do Core Web Vitals em 12 de março de 2024, e as propriedades padrão do Universal Analytics pararam de processar dados em 1º de julho de 2023. Tutorial que ainda ensina a montar relatório no Universal Analytics manda o leitor atrás de uma ferramenta que não recebe mais nada.
- Prints. A imagem continua mostrando a tela antiga mesmo depois que a frase ao lado foi corrigida, e o leitor acredita mais no print.
- Links. A fonte muda de endereço, sai do ar ou passa a dizer outra coisa. Documentação oficial costuma durar mais que notícia.
- Palavras que dependem do dia. "Recentemente", "este ano", "a novidade do momento". Troque por uma data ("em março de 2024") ou corte.
- Regras de terceiros. O que o Google pede, o que a lei exige, o que a plataforma permite. É a mudança que transforma um conselho certo em erro.
Como revisar um post antigo passo a passo?
Comece pelos que trazem visitas, não pelos mais velhos. Um texto de 2020 que ninguém lê pode esperar. Um de seis meses atrás que responde por metade do tráfego do blog, não.
- Monte a fila. No Search Console, em Desempenho, compare os últimos três meses com o mesmo período do ano anterior e ordene as páginas pelos cliques perdidos. Página que caiu e depende de regra de terceiros vai para o topo.
- Releia como quem chegou pela busca. O texto responde à pergunta do título logo no começo? Se a pessoa precisasse voltar ao Google depois de ler, falta alguma coisa.
- Confira cada fato na fonte original. Não na memória nem em outro blog. Se a fonte mudou, o texto muda junto.
- Troque números, nomes e prints que a conferência apontou. Número novo entra com o ano e a origem.
- Teste os links, internos e externos. Fonte que sumiu ganha uma substituta oficial ou sai do texto.
- Decida o destino do post. Se o assunto segue vivo, atualize no mesmo endereço. Se outro texto seu cobre o tema melhor, junte os dois e mande o endereço antigo para o novo com um 301. Se o assunto acabou (produto descontinuado, promoção encerrada), tire a página do ar respondendo o código certo, como mostra o passo a passo para montar a página de erro sem cair no soft 404.
- Só então mexa na data, e só se o conteúdo mudou.
Mantenha o endereço. Trocar a URL para enfiar "2026" nela desperdiça os links que a página já recebeu e cria um redirecionamento à toa. Se o ano precisa aparecer, ele vai no texto.
E com que frequência? Não existe número oficial. A régua que o validador usa é pelo menos uma revisão por ano nas páginas principais, e antes disso sempre que a fonte de um fato mudar. Post com valor que vence, como o do 13º, ganha um lembrete na agenda para o mês em que a regra costuma mudar.
Quando a data de atualização deve mudar?
Quando o conteúdo mudou de um jeito que o leitor perceberia. Corrigir um número, trocar um passo que deixou de funcionar, acrescentar uma seção: a data anda. Acertar uma vírgula, mudar a cor de um botão ou mexer no rodapé: fica onde está.
O Google é claro sobre o caminho oposto. Na página sobre conteúdo útil, entre as perguntas que denunciam texto feito para o buscador, e não para as pessoas, está esta:
Você está mudando a data das páginas para que elas pareçam atualizadas quando o conteúdo não mudou significativamente?
Logo em seguida vem o recado para quem pensa em inflar ou enxugar o texto pela aparência de novidade: não vai funcionar.
Existe ainda o leitor. Quem abre um post com "atualizado ontem" e encontra um print de 2021 e uma métrica aposentada passa a desconfiar de todas as datas do site.
O mesmo cuidado vale para o arquivo que lista as páginas para os robôs: o lastmod precisa refletir a última mudança real, e o guia do sitemap mostra como manter essa data honesta.
Como mostrar as datas na página e no schema?
Em dois lugares, com o mesmo valor. A documentação do Google sobre datas de autoria descreve os dois caminhos: a data visível, com um rótulo como "Publicado em" ou "Atualizado em", e os dados estruturados de artigo, com datePublished e dateModified. As boas práticas pedem que as duas versões coincidam, que o fuso horário esteja certo e que a página não traga data futura nem use a data de um evento citado no texto.
Um exemplo de marcação para um post:
{
"@context": "https://schema.org",
"@type": "BlogPosting",
"datePublished": "2024-11-04T09:00:00-03:00",
"dateModified": "2026-10-20T14:10:00-03:00",
"headline": "Como calcular o 13º salário"
}
Pela documentação de artigos, nenhuma propriedade é obrigatória, e as duas datas são recomendadas no formato ISO 8601, com fuso. Sem fuso, o Google usa o do Googlebot, o que pode deslocar o dia. Se o Google estiver pegando a data errada, a orientação é diminuir as outras datas que aparecem na página.
Mostre as duas para o leitor. A de publicação diz há quanto tempo o assunto é tratado; a de atualização diz se dá para confiar nos números. Esconder a de publicação para o post parecer recente é o mesmo truque por outro caminho.
Quantos sites brasileiros mostram quando o texto foi atualizado?
Poucos. Em outubro de 2026, entre os dias 20 e 22, nosso validador abriu 53 endereços .br, começando pela página inicial e seguindo para algumas internas, até somar 302 páginas lidas. A regra de datas só se aplica a páginas com texto suficiente para contar como conteúdo, e nelas o retrato foi este:
| O que medimos | Resultado |
|---|---|
| Páginas de conteúdo sem data de publicação nem de atualização declarada | 193 de 223 (87%) |
| Sites sem data de atualização em nenhum lugar lido (sitemap, schema ou meta) | 12 de 53 |
| Sites cuja data mais recente tinha 41, 71 e 94 meses | 3 |
| Sites com a data mais recente entre 12 e 18 meses | 2 |
Em 193 páginas, nada indica se o texto saiu nesta semana ou antes da pandemia, nem para quem lê nem para o robô. Os três sites da terceira linha vão além: a data mais nova que eles declaram, em qualquer canto, passa de 3 anos; no pior caso, chega perto de 8 anos. Pode ser que o conteúdo continue certo. Só que o visitante fica sem essa garantia.
Na análise, a regra "Data de publicação e atualização" olha página por página, e a regra "Conteúdo atualizado recentemente" procura a data mais nova do site inteiro: dá alerta a partir de 12 meses e reprova a partir de 24. Os outros sinais de confiança que costumam faltar junto com a data, como autor e páginas institucionais, estão na lista de sinais de E-E-A-T que o leitor procura antes de acreditar no texto.
Como a gente mantém os posts deste blog em dia?
Com uma rotina automática e uma regra para a data. Todo dia, a rotina valida os posts, confere os links internos e procura texto que nenhum outro linka. Às segundas, ela também testa se as fontes citadas em cada post continuam no ar.
A regra da data é curta: dateModified e lastmod só mudam quando o texto muda. Acrescentar ou trocar um link num post publicado não mexe na data, porque o leitor não ganhou informação nova.
Nosso site estreou em 22/10/2026. Quatro dias depois, pesquisando para um post novo, achamos dois fatos já vencidos em textos publicados: a lista de buscadores que aceitam o IndexNow tinha ganhado dois participantes, e a data de um recurso do relatório de IA do Bing estava errada. Corrigimos os dois no mesmo dia, depois de conferir na fonte oficial.
No mesmo dia apareceu um terceiro caso, mais bobo e mais útil. O post sobre links internos dizia que o blog tinha nove posts publicados. Era verdade quando ele foi escrito, e já não era com 37 no ar. Trocamos os números, e só então a data andou: o texto, publicado em 23/10/2026, passou a mostrar "Atualizado em 26/10/2026", com o mesmo valor no dateModified do schema, na meta article:modified_time e no lastmod do sitemap.
A lição que ficou: o número que vence mais rápido é o que fala do próprio site. Quantidade de clientes, de produtos, de anos de mercado, de posts. Quase ninguém lembra de revisar, porque isso não parece fato. Parece apresentação.
Que página revisar antes de escrever a próxima?
A que já traz visitas e tem um número dentro. No Search Console, pegue as cinco páginas com mais cliques nos últimos 12 meses e procure em cada uma um valor, um nome de ferramenta ou um print. Confira na fonte, corrija o que venceu e só então atualize a data, no texto e no schema ao mesmo tempo.
Para saber quais páginas do seu site estão sem data declarada e qual é a atualização mais recente que os robôs conseguem ver, passe o seu site pelo validador gratuito. As duas regras aparecem no pilar de GEO do relatório.