Mantido pela Microsoft, o Bing Webmaster Tools é um painel sem custo em que o dono do site acompanha como o Bing rastreia, indexa e exibe as páginas, agora também nas respostas com IA. Para cadastrar, quem já usa o Google Search Console tem um atalho: importar o site de lá, que já chega verificado. Sem ele, você adiciona o endereço e prova a posse por arquivo, meta tag ou registro no DNS. Depois vêm o sitemap, o IndexNow e uma primeira leitura do relatório de citações em IA, a novidade do painel em 2026.
O passo a passo segue a ordem das telas e foi conferido em outubro de 2026 nas publicações oficiais do Bing e da Microsoft e no site do IndexNow. Se ainda está decidindo quais painéis gratuitos manter, veja antes a comparação das ferramentas grátis para cuidar do site.
O que deixar pronto antes de cadastrar?
Uma conta, o endereço exato do site e a certeza de que o robô do Bing consegue entrar. O login aceita conta Microsoft, Google ou Facebook; quem não tem nenhuma cria uma conta Microsoft no próprio cadastro. O endereço é aquele que abre depois dos redirecionamentos, com https:// e com ou sem www, do jeito que o visitante vê na barra do navegador.
O terceiro item é o que mais passa batido. O Bing rastreia com o Bingbot, e um robots.txt escrito pensando só no Google pode barrar esse robô sem ninguém notar. Montamos este guia antes de cadastrar o nosso próprio site, e a primeira coisa que fizemos foi essa conferência. O nosso robots.txt não tem um grupo só para o Bingbot, então ele obedece às regras de User-agent: *. Em 26 de outubro de 2026, passamos dois endereços pelo testador que mostra a decisão robô por robô: um post do blog saiu liberado para o Bingbot pela linha Allow: /, e /admin/posts saiu bloqueado pela linha Disallow: /admin. Era o que a gente queria: o robô lê o conteúdo público e fica fora da área logada.
Importar do Search Console ou adicionar o site à mão?
Importe, se o site já está verificado no Search Console. Na página dos seus sites, a opção de importar pede login na conta Google, lista os sites verificados lá com o número de sitemaps de cada um e deixa você marcar quais trazer. Segundo o blog do Bing, os sites importados entram já verificados, e os sitemaps vêm junto. Cabem até 100 sites por importação e mil por conta.
O cuidado é que essa verificação continua presa ao Google. O Bing volta de tempos em tempos à sua conta do Search Console para confirmar a posse. Se você tirar a permissão que deu ao Bing, ou perder o acesso à propriedade, vai precisar verificar de novo por outro método.
Sem Search Console, adicione o endereço à mão e escolha uma destas provas:
| Método | O que você faz | Quando escolher |
|---|---|---|
| Domain Connect | Entra na conta do provedor de DNS pelo próprio Bing, que cria o registro | O seu provedor de DNS é compatível e aparece na tela |
| Arquivo XML | Baixa o BingSiteAuth.xml e publica na raiz do site |
Você tem acesso aos arquivos do servidor |
| Meta tag | Cola a tag no <head> da página inicial |
A plataforma tem um campo para código no cabeçalho, como lojas virtuais e plugins de SEO |
| Registro no DNS | Cria o registro no painel do domínio e volta para verificar | Você administra o DNS no Registro.br, na Cloudflare ou na hospedagem |
Sobre o tipo de registro, há divergência: o guia de primeiros passos que o Bing publicou em junho de 2025 fala em TXT, e vários tutoriais mostram CNAME. Crie o que a sua tela de verificação pedir. Entre arquivo, tag e DNS, preferimos o DNS pelo mesmo motivo que vale no Google, e o guia do Search Console mostra por que a prova no DNS resiste a migrações: ela não some quando alguém troca o tema ou muda de hospedagem.
No nosso caso, o atalho seria a importação, porque o Search Console do Nota do Site foi verificado por um registro TXT no DNS. Acabamos indo pelo arquivo. Em 26 de outubro de 2026, baixamos o BingSiteAuth.xml no painel do Bing, publicamos na raiz do site e a verificação passou no mesmo dia. Aqui o arquivo não corre o risco de sumir numa migração, porque fica guardado no repositório junto com o código e volta ao ar a cada nova versão. Em site feito em plataforma, onde o arquivo pode se perder numa troca de tema, a prova no DNS continua sendo a nossa preferência.
Como enviar o sitemap pelo painel?
Se você importou do Search Console, primeiro confira a tela de Sitemaps, porque os arquivos de lá costumam já estar listados. Se adicionou o site à mão, abra Sitemaps no menu, informe o endereço completo do arquivo e envie. Ter a linha Sitemap: no robots.txt já ajuda o Bing a achar o arquivo; o envio pelo painel serve para você acompanhar a leitura e os erros.
Como montar o arquivo, quais páginas entram e como deixar o lastmod honesto ficam no passo a passo de criação e envio do sitemap. Quem não tem sitemap precisa começar por ele. Entre a terça, dia 20, e a quinta, dia 22 de outubro de 2026, o nosso validador abriu 53 sites .br, e em 9 deles não havia sitemap à vista. Nesse caso, não há arquivo para importar nem para enviar, e o Bing depende só dos links para chegar às páginas.
Como ligar o IndexNow e para que serve a chave?
O IndexNow é um aviso que o seu site manda aos buscadores quando uma página é criada, alterada ou apagada. A chave é o que prova que o aviso partiu do dono do domínio, e não de qualquer pessoa que digitou o endereço.
Quase ninguém precisa programar. Pela página de primeiros passos do Bing, o aviso sai pronto em:
- WordPress: plugin IndexNow, Yoast, Rank Math, AIOSEO ou SEOPress.
- Plataformas que já enviam sozinhas: Shopify, Wix e Duda, entre outras.
- Cloudflare: a opção Crawler Hints, disponível até no plano gratuito. Ela usa o cache para perceber que uma página mudou e repassa o aviso.
Fora dessas listas, pergunte ao suporte da sua plataforma se ela já dispara o IndexNow. Se não dispara, a ligação manual tem três passos:
- Crie a chave: de 8 a 128 caracteres, só com letras, números e hífen.
- Publique a chave: um arquivo de texto em UTF-8 chamado
sua-chave.txtna raiz do site, contendo só a chave. Dá para guardar o arquivo numa pasta e informar o caminho no campokeyLocation, mas aí ele só vale para os endereços daquela pasta: um arquivo em/blog/não cobre/servicos/. - Avise: uma página por vez, com um GET no endereço
/indexnowdo buscador; várias de uma vez, com um POST em JSON, até 10 mil endereços por envio.
Um envio em lote de uma oficina mecânica fictícia ficaria assim:
POST https://api.indexnow.org/indexnow
Content-Type: application/json; charset=utf-8
{
"host": "www.oficinadojoao.com.br",
"key": "a3f9c2e7-oficina-2026",
"keyLocation": "https://www.oficinadojoao.com.br/a3f9c2e7-oficina-2026.txt",
"urlList": [
"https://www.oficinadojoao.com.br/servicos/troca-de-oleo",
"https://www.oficinadojoao.com.br/servicos/alinhamento"
]
}
O código que volta diz o que aconteceu:
| Código | O que quer dizer |
|---|---|
| 200 | Recebido. Só isso: não quer dizer indexado |
| 202 | Recebido, com a chave ainda em validação |
| 400 | Pedido mal formatado |
| 403 | A chave não foi encontrada no arquivo, ou o arquivo não está lá |
| 422 | Endereço de outro domínio, ou chave fora do padrão |
| 429 | Pedidos demais em pouco tempo, tratados como possível spam |
Um aviso enviado a qualquer participante é repassado aos outros. Em outubro de 2026, a lista oficial do protocolo tem sete: Bing, Yandex, Seznam, Naver, Yep, Internet Archive e Amazonbot. O Google não participa.
Dois limites que o Bing deixa claros. O aviso não garante rastreamento nem indexação. E, ao começar, mande só o que mudou daqui para a frente, não o site inteiro nem as páginas do ano passado. Na nossa opinião, o IndexNow compensa em site que muda todo dia, como loja com preço e estoque. Num site institucional de dez páginas, o sitemap dá conta.
O que o relatório AI Performance mostra?
Mostra quantas vezes páginas do seu site serviram de fonte nas respostas do Microsoft Copilot, nos resumos com IA da busca do Bing e em produtos de parceiros que a Microsoft não nomeia. O Bing abriu o relatório em versão prévia pública em 10 de fevereiro de 2026, e ele fica no item AI Performance do menu. Os números de partida:
| Métrica | O que mede | O que não diz |
|---|---|---|
| Total Citations | Quantas vezes o site apareceu como fonte no período escolhido | Em que lugar da resposta a citação ficou |
| Average Cited Pages | Média, por dia, de páginas diferentes do site citadas | Qual superfície de IA citou; o número soma todas |
| Grounding queries | Os termos de busca que a IA disparou para achar o conteúdo citado | O total: é uma amostra |
| Citações por página | Quais endereços foram mais citados | Se a página é importante ou bem posicionada |
| Tendência | Como as citações sobem ou descem ao longo do tempo | O motivo da mudança |
Em 16 de junho de 2026, ainda como prévia, chegaram quatro recursos. Intents separa as frases da IA por intenção, como informativa, comercial ou navegacional. Topics junta as frases parecidas por tema. Citation Share dá a fatia do seu site nas citações de uma frase: 3 de 10 citações são 30%. Compare sobrepõe ao gráfico um período anterior, para ver se o mês atual foi melhor ou pior.
Em 13 de outubro de 2026 entrou o Topics Portfolio, marcado como beta. É uma aba ao lado de Citations & Pages que organiza a presença do site por assunto, com janelas de um, dois ou três meses, e lista as buscas em que outros sites são citados e o seu não, chamadas de Top Opportunity Queries. Ela só aparece quando o site tem dados suficientes, então site pequeno pode não ver a aba.
Até 26 de outubro de 2026, não encontramos anúncio do Bing tirando o relatório da versão prévia, e os recursos novos seguem como prévia e beta. Conte com mudança de nome e de tela.
O que o relatório de IA deixa de fora?
Mais do que muitos tutoriais admitem:
- Cliques. Nenhum dos três anúncios fala em cliques. Para saber quantas pessoas chegaram ao site a partir do Copilot, separe no GA4 as visitas que vêm de copilot e das outras IAs.
- Ranking. A Microsoft escreve que a Citation Share não é ranking nem placar e não mostra quais domínios disputam com você.
- Os parceiros. Os anúncios falam em integrações selecionadas e não dizem quais são.
- O ChatGPT. Nenhum dos anúncios cita o ChatGPT. Há guias em português afirmando que o relatório inclui o ChatGPT ou que ele busca no índice do Bing, mas não encontramos documento da Microsoft nem da OpenAI que diga isso. Para o ChatGPT, siga os passos que dependem do robô e da busca do próprio ChatGPT.
Na prática, o relatório serve melhor como pista do que como placar. Abra as cinco páginas mais citadas e compare com as grounding queries de cada uma: se a frase da IA é uma pergunta que a página responde só no quinto parágrafo, suba a resposta. Para a página que nunca aparece, confira antes se o texto chega aos robôs sem depender de JavaScript; a análise sem custo do Nota do Site mostra isso e lista quais robôs de IA podem ler a página.
Quais outros relatórios abrir na primeira visita?
Cinco, nesta ordem:
- Search Performance: cliques, impressões e buscas no Bing. Os dados de um site recém-verificado levam até 48 horas para aparecer, segundo o blog do Bing.
- Inspeção de URL: diz se uma página está no índice do Bing. Se a inicial não estiver, peça a leitura pelo Envio de URL.
- Robots.txt Tester: a mesma conferência da primeira seção, agora do lado do Bing.
- Site Scan: uma varredura do site pelo próprio Bing, que aponta problemas comuns de SEO.
- Backlinks: quais sites linkam para o seu, segundo o índice do Bing.
Que lembretes pôr na agenda depois do cadastro?
Quatro, e o primeiro é para hoje:
- Hoje: importe do Search Console ou verifique pelo DNS, confira os sitemaps e ligue o IndexNow pelo plugin, pela plataforma ou pela Cloudflare.
- Daqui a dois dias: abra Search Performance e Sitemaps. Sitemap com erro de leitura se corrige antes de qualquer outra coisa.
- Daqui a um mês: abra o AI Performance e anote o total de citações e as cinco páginas mais citadas. No mesmo dia, veja no GA4 quantas visitas vieram do Copilot nessas páginas.
- A cada troca de domínio, tema ou plataforma: confira se a verificação continua de pé. A prova por arquivo ou meta tag é a primeira a sumir numa migração.